A gestora de recursos BlackRock mudou sua postura de investimento nos Estados Unidos diante de um cenário fiscal e monetário que, segundo relatórios, mostra sinais de deterioração. Em 2025, a dívida pública americana teria alcançado US$ 38,4 trilhões em dezembro, ante US$ 36,1 trilhões em janeiro do mesmo ano — um incremento de US$ 2,3 trilhões em 11 meses.
Como resposta, a gigante de gestão decidiu subponderar Treasuries longos e reforçar a diversificação global de suas carteiras. A mudança ocorre num momento em que circulam rumores sobre uma possível saída de capitais da ordem de US$ 2,1 trilhões, e em que analistas debatem os efeitos imediatos sobre juros, liquidez e a composição dos portfólios.
Fontes citadas na leitura estratégica dizem que a dívida americana foi tratada como um dado consolidado – “real acumulado” – com os livros fechados a partir de dezembro de 2025, e não simplesmente como projeção futura. Esse enquadramento eleva a percepção de risco fiscal e pode levar o mercado a exigir prêmios maiores para títulos de prazo mais longo.
Entre os números alertados pela análise está o custo do serviço da dívida: o governo dos EUA estaria pagando mais de US$ 1 trilhão por ano apenas em juros, valor apontado como superior a despesas relevantes como defesa e Medicare. Esse aumento de encargos pressiona a curva de juros e altera preferências de alocação.
O relatório também associa parte do problema a um histórico de expansão monetária e maior liquidez dos mercados. Como marcador desse processo, o agregado monetário M2 é citado: teria crescido de US$ 15,5 trilhões em fevereiro de 2020 para US$ 21 trilhões em abril de 2022 — um salto de cerca de 40% em 26 meses. A narrativa traça um encadeamento em que a expansão monetária alimenta inflação, bolhas de ativos e desigualdade, com preços se descolando dos fundamentos.
O impacto prático dessa reprecificação é que ativos mais sensíveis a juros longos devem sofrer primeiro se a liquidez recuar e o mercado exigir maior prêmio de risco fiscal. Ações, contudo, vinham negociando em máximas históricas enquanto salários reais permaneciam estagnados; preços imobiliários são mencionados como tendo subido cerca de 73% desde 2019, reforçando o descompasso entre ativos financeiros e economia real.
Para investidores e gestores, a mudança de rota da BlackRock representa um sinal de ajuste de postura: reduzir exposição a títulos do Tesouro de prazo estendido, ampliar alocação internacional e avaliar riscos ligados à concentração em dólar. Especialistas destacam que, no curto prazo, essa reorientação pode pressionar os rendimentos das curvas e exigir maior atenção à liquidez das carteiras.
Em síntese, a leitura da gestora aponta que o cenário dos EUA em 2026 exige maior vigilância sobre risco fiscal e monetário, com potencial de reorganização de fluxos de capitais e alterações no comportamento de classes de ativos sensíveis a variações de juros.































