As bolsas europeias operaram em forte queda após a decisão do BCE de manter as principais taxas de juro inalteradas: depósito a 2,00%, refinanciamento principal a 2,15% e a taxa marginal a 2,40%. A medida já era esperada pelos investidores, mas a ausência de sinais claros sobre cortes futuros acentuou a aversão ao risco, prejudicando o humor do mercado.
O índice de Milão (-1,90%) liderou as perdas em conjunto com Madrid, enquanto Frankfurt perdeu 1,05% e Londres e Paris cederam cerca de 0,70%. O movimento mostra que a calibragem de juros pelo banco central deixou o «motor da economia» sem a aceleração que alguns setores aguardavam.
Entre os protagonistas negativos do pregão, destacaram-se as ações do setor automotivo. Em Milão, Stellantis recuou 5% após a carta aberta enviada por Stellantis e Volkswagen à Comissão Europeia, pedindo incentivos específicos para a indústria de carros elétricos europeus. Em Frankfurt, Volkswagen, Mercedes e BMW caíram entre 3,5% e 4%, numa leitura que sinaliza preocupação com a competitividade e a necessidade de políticas industriais mais firmes.
Também em destaque negativo, o setor financeiro sofreu um forte ajuste: bancos italianos como Intesa Sanpaolo e UniCredit cederam cerca de 3,5%. O mercado penalizou os títulos bancários num contexto em que a mensagem do BCE sobre inflação e câmbio gera incerteza sobre a trajetória futura dos lucros e dos spreads.
Na conferência em Frankfurt, a presidente Christine Lagarde comentou que um euro mais forte “poderia reduzir a inflação além do esperado”. Hoje a moeda valeu 1,1801 dólares, praticamente estável ante o dia anterior, mas com impacto imediato nos balanços das exportadoras e na sensibilidade dos mercados a choques externos.
Do outro lado do Atlântico, Wall Street manteve pressão sobre as ações de tecnologia. O Nasdaq registrou a terceira sessão negativa consecutiva (-1,80%) refletindo temores sobre o impacto e o custo dos investimentos em inteligência artificial; o S&P 500 caiu 1,30%. Mesmo com resultados trimestrais robustos — lucros +30% e receitas +18% — as ações da Alphabet recuaram 3,6%, após a companhia anunciar que dobrou as previsões de investimento até 2026, para US$185 bilhões, medida vista como expansão agressiva de capital que preocupa parte dos investidores.
No mercado de dívida pública, o Ministério da Economia e Finanças (MEF) anunciou uma nova emissão de BTP Valore, com período de colocação entre segunda-feira, 2 de março, e sexta-feira, 6 de março (até as 13h), salvo encerramento antecipado. O título terá prazo de 6 anos e cupons crescentes pagos trimestralmente via mecanismo “step-up” em tramos de 2+2+2 anos. Haverá um prêmio final extra de 0,8% do capital nominal para investidores que comprem durante o período de colocação e mantenham até o vencimento; as taxas mínimas garantidas serão divulgadas em 27 de fevereiro.
Como estrategista, observo que o mercado está testando os freios e os avanços simultâneos da política monetária: sem reduções de juros imediatas, setores intensivos em capital e instituições financeiras sentem o aperto. A chave nos próximos trimestres será a capacidade dos formuladores de política de equilibrar design de políticas que suportem a transição industrial — especialmente no setor automotivo — sem comprometer a estabilidade dos preços.





















