Por Stella Ferrari — Quinta-feira, início de fevereiro, marca a primeira calibragem de políticas monetárias relevante de 2026 na Europa: tanto o BCE quanto a Bank of England reúnem-se para decidir o rumo das taxas. A expectativa majoritária dos analistas é pela manutenção dos níveis atuais, enquanto os mercados continuam a digerir as recentes movimentações nos Estados Unidos.
Na semana passada a Federal Reserve manteve as taxas inalteradas, após três cortes consecutivos. A novidade que sacudiu ativos foi a indicação do economista Kevin Warsh como possível sucessor de Jerome Powell, decisão comunicada pela administração Trump. A escolha do perfil mais seco, com passados episódios de postura mais dura, foi lida como um fator de maior restrição futura — reação imediata: forte queda nos preços do ouro e da prata, que vinham em rally.
Segundo análise do Ebury, o histórico “falco” de Warsh sugere menor propensão a cortes acentuados comparado a outros nomes cotados, além de oferecer sinais de preservação da independência do banco central, elemento que tem reconfortado investidores quanto à previsibilidade da política monetária americana.
No front europeu, o foco do BCE será, sobretudo, o repique do euro. Em 2025 o motor desse aperto cambial foi menos a força intrínseca da moeda única do que a fraqueza do dólar — penalizado por incertezas sobre tarifas e pelo debate em torno da independência da Fed. As mesas de estratégia esperam que o deposit rate permaneça em 2,0% pela quinta reunião consecutiva. Novos cortes só estão projetados, em cenários consensuais, para a segunda metade do ano, dependendo da evolução do panorama internacional e de eventuais turbulências geopolíticas.
Nadia Gharbi, Senior Economist da Pictet Wealth Management, sintetiza o tom: a expectativa é que o BCE mantenha a política inalterada, adotando um discurso “reunião a reunião” e dependente dos dados. A Presidente Lagarde deverá reafirmar que a política atual é equilibrada e afastar um compromisso com cortes de curto prazo, embora os olhos do mercado estarão atentos a comentários sobre o fortalecimento do euro.
Do outro lado do Canal, a Bank of England também tende a deixar o Bank Rate em 3,75%. Após quatro cortes no ano anterior, a maioria das casas espera continuidade; apenas uma minoria vislumbra um recuo adicional imediato para 3,50%. Para a Goldman Sachs, a probabilidade de manutenção em 3,75% é elevada, refletindo comunicados que apontam cautela sobre o ritmo de novos cortes. Barclays acrescenta que, à medida que a taxa se aproxima da neutralidade, o Comitê tende a abrandar a cadência de reduções, favorecendo a estabilidade.
Em resumo, a reunião dupla do começo de fevereiro será menos sobre mudança de direção e mais sobre a calibragem fina da política: testar a resistência do motor da economia europeia frente ao câmbio, avaliar sinais de inflação e mensurar o impacto das decisões americanas. Para investidores e gestores, a mensagem a ser lida é de disciplina — freios e ligações ajustadas, sem acelerações bruscas, até que o cenário global ofereça maior visibilidade.






















