Por Stella Ferrari — Em uma manobra calculada, o Banco Central da Rússia anunciou nesta sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026, um corte de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros, reduzindo o custo do dinheiro de 16% para 15,5%. A decisão, alinhada aos dados mais recentes sobre preços, sinaliza uma lenta calibragem de juros por parte do regulador, sem, contudo, dispensar vigilância contínua sobre a trajetória inflacionária.
O comunicado institucional enfatizou que, apesar da redução imediata, as expectativas de inflação permanecem elevadas, motivo pelo qual a estreita de política monetária deve prosseguir nos próximos meses. Ao final de 2025, o índice de aumento de preços na Rússia registrou 5,6%, acima do objetivo declarado pelo banco central, que permanece em 4%. Ainda assim, as projeções internas apontam para uma desaceleração significativa do índice de preços ao consumidor ao longo de 2026.
Na prática, o movimento de reduzir a taxa básica em meio a inflação acima da meta reflete uma estratégia de ajuste gradual: o banco central abre espaço para aliviar o custo do crédito sem desengatar os freios fiscais nem comprometer o controle inflacionário. Em termos de perspectivas, a autoridade monetária estima que a taxa média de desconto poderá convergir para um intervalo entre 13,5% e 14,5% já em 2026, dependendo do comportamento dos preços.
Esse cenário tem implicações claras para a economia russa e para investidores internacionais. Com uma taxa básica ainda elevada, mas em trajetória de queda, espera-se algum alívio no custo do crédito para empresas e consumidores, o que pode fomentar investimentos produtivos e consumo doméstico de forma gradual. Para o mercado de câmbio, a combinação de juros ainda atrativos e menor inflação tende a sustentar o rubro do rublo, ao mesmo tempo em que reduz o prêmio de risco exigido por investidores estrangeiros.
No plano externo, vale lembrar que a Banco Central Europeu manteve sua taxa em 2% pela quinta vez consecutiva, num contexto de inflação muito mais moderada (cerca de 1,7% em janeiro). A comparação evidencia diferentes fases do ciclo monetário: enquanto a zona do euro freia a aceleração dos juros, a Rússia ainda opera com uma margem de aperto, mas já buscando uma aceleração de tendências no sentido de normalização.
Para gestores e estrategistas, a mensagem é clara: trata-se de uma redução técnica e controlada — uma afinação do motor da economia para permitir maior eficiência sem sacrificar a estabilidade de preços. A leitura prudente é monitorar a evolução dos indicadores inflacionários nos próximos trimestres; se a queda for consistente, a janela para cortes adicionais se abrirá com segurança.
Em suma, o corte para 15,5% é um passo na direção de um afrouxamento calibrado, com a previsão de que o custo do dinheiro possa situar-se em torno de 13,5% já em 2026, caso as condições de inflação evoluam conforme as expectativas do banco central.





















