Por Stella Ferrari — A pesquisa Audible Compass 2025, realizada pela Verian para a Audible, confirma uma aceleração consistente no consumo de conteúdo em áudio na Europa. O levantamento mostra que 73% dos entrevistados em Itália, França, Alemanha e Espanha declaram ouvir conteúdos em áudio como audiolivros, podcasts e séries de áudio, e quase seis em cada dez afirmam ter aumentado a frequência de escuta em relação a 2024.
Em termos de volume, a média nos quatro países estudados situa-se em cerca de 4 audiolivros por mês: na Itália e na Espanha a média foi de 3,2 audiência mensal, enquanto França e Alemanha registraram 3,8. Esses números revelam uma clara mudança de marcha no consumo cultural, num movimento que não substitui, mas complementa o mercado impresso.
O gênero continua sendo a principal bússola de escolha: mistério e thriller lideram com 44%, seguidos por ficção científica e fantasia com 40%, crime e romance com 37% cada, e comédia com 36%. Um dado que merece atenção estratégica: na Itália a narrativa literária alcança a mesma preferência do thriller, ambas com 46% — um diferencial nacional entre os países analisados.
O consumo ocorre majoritariamente em casa (72%), mas com motivações distintas por mercado: na Alemanha e na Espanha os audiolivros são frequentemente usados para facilitar o sono; na França, como entretenimento que afasta das telas; na Itália, a escuta transforma-se num companheiro recorrente do dia a dia. Na decisão de escolha pesam o gênero (86%), o tema (83%) e a voz do narrador (82%).
A pesquisa destaca uma relação sinérgica entre audiolivros e livros: na Itália, 86% dos que ouviram um audiolivro nos últimos 12 meses também leram ao menos um livro no mesmo período. Sete em cada dez entrevistados dizem que o audiolivro aumentou a leitura em papel ou digital, e 66% vão à livraria comprar a cópia física após finalizar a escuta. Esse efeito complementar é uma pista estratégica para editores, livrarias e produtores de conteúdo.
Além do impacto cultural, o formato é percebido como aliado do bem-estar: 70% afirmam que ouvir relaxa, 68% que ajuda a desconectar de preocupações e 60% que contribui para a saúde mental — índices particularmente elevados em Itália e Espanha. Entre pais italianos com filhos menores, a escuta aparece como ferramenta de entretenimento educativo e como tempo longe das telas.
No catálogo do Audible.it, entre os títulos mais ouvidos em 2025 figuram L’anniversario de Andrea Bajani, narrado por Luigi Lo Cascio; Come l’arancio amaro de Milena Palminteri, lido por Aurora Peres; e La catastrofica visita allo zoo de Joël Dicker, também narrado por Aurora Peres. Para produtores, editoras e investidores, a lição é clara: o motor da economia cultural está calibrando sua transmissão para o áudio, exigindo design de políticas comerciais e de catálogo que aproveitem essa aceleração de tendências.
Em termos estratégicos, o mercado deverá ajustar oferta e monetização — desde a qualidade das vozes narrativas até ações em ponto de venda físico — para capturar a demanda complementar entre escuta e compra. Como sempre, a calibragem fina entre inovação de produto e experiência do usuário vai determinar quem ganha a pole position neste novo circuito da atenção.






















