Por Stella Ferrari — O colosso chinês de artigos esportivos Anta oficializou a aquisição de cerca de 29% das ações da Puma pertencentes à holding francesa Pinault Artemis, em uma operação avaliada em 1,5 bilhões de euros (aproximadamente 1,8 bilhões de dólares). Com a transação, a Anta torna-se o maior acionista do fabricante alemão de roupa esportiva.
Segundo documento apresentado à Bolsa de Hong Kong, a operação prevê a compra de pouco mais de 43 milhões de ações da Puma, a um preço unitário de 35 euros por papel. Após o anúncio, as ações da Anta registraram alta em torno de 2%, reflexo imediato do movimento estratégico.
A Anta explicou, em nota, que a parcela adquirida deve fortalecer sua presença e aumentar a reconhecimento global da marca no mercado dos artigos esportivos, ampliando sua competitividade internacional. Ao mesmo tempo, o grupo deixou claro que trabalhará para preservar a forte identidade e a tradição da Puma, com o objetivo de ajudar a marca a realizar plenamente seu potencial.
Baseada na província de Fujian, no sudeste da China, a Anta é uma das maiores empresas mundiais do setor. Fundada em 1991, a companhia já acumulou mais de 35 anos de atuação, ampliando sua atuação por mercados-chave como Sudeste Asiático, Oriente Médio, África, América do Norte e Europa. A experiência da Anta em gestão multimarca e em revitalização de portfólios é um dos ativos que justificam a ambição do grupo.
Um marco anterior na trajetória do grupo foi a aquisição, em 2019, da finlandesa Amer Sports, num consórcio que desembolsou cerca de 5,2 bilhões de dólares. A carteira herdada inclui marcas globais como Wilson, Arc’teryx e Salomon, além dos direitos de mercado chinês para marcas estrangeiras como Fila e Descente.
Do ponto de vista estratégico, a movimentação da Anta não é apenas uma compra de participação acionária: é uma calibração de motor. Ao assumir uma fatia relevante da Puma, a Anta busca combinar sua expertise operacional e rede de distribuição com o valor de marca e o know-how europeu da Puma — uma sinergia que pode acelerar ganhos de escala e penetração em mercados onde cada grife exige desenho de políticas comerciais e posicionamento distintos.
Para investidores e gestores, a operação é também um teste de equilíbrio entre expansão e preservação de identidade. Manter a autonomia e a tradição da Puma enquanto se extrai sinergias operacionais exige uma engenharia de governança fina: mais aceleração onde há espaço para crescer, freios calibrados onde a marca depende do seu legado.
Em suma, a compra de 29% da Puma pela Anta representa um movimento de alta performance no setor global de artigos esportivos — combinação de músculo financeiro, estratégia multimarca e ambição por liderança internacional.






















