Por Stella Ferrari — Em mais uma manobra de calibragem operacional, a Amazon comunicou aos seus colaboradores que planeja eliminar cerca de 16.000 postos de trabalho em nível global. A decisão — apresentada como parte de um esforço contínuo para simplificar processos e reduzir a burocracia — ocorre apenas três meses após uma rodada anterior que cortou 14.000 vagas.
Segundo nota interna assinada pela vice-presidente sênior Beth Galetti, os cortes têm como objetivo “reduzir os níveis, aumentar a propriedade e remover a burocracia“. A empresa afirmou que a maioria das posições afetadas está nos Estados Unidos e que, sempre que possível, serão oferecidas alternativas internas a alguns empregados impactados.
Em mensagem enviada à força de trabalho, a Amazon afirmou que as reduções afetarão aproximadamente 16.000 posições e garantiu que haverá esforços para prestar suporte aos funcionários alcançados pelas demissões. A companhia também disse que tentará realocar profissionais dentro da organização quando houver oportunidades compatíveis.
O anúncio chega num momento em que a companhia enfrenta dupla pressão: a necessidade de conter custos após expansões aceleradas e a crescente adoção de inteligência artificial nas operações. A combinação de automação, mudanças na estrutura de custos e busca por maior eficiência tem servido como motor para essa nova fase de otimização — uma espécie de reengenharia que busca reduzir atritos e acelerar decisões estratégicas.
Fontes internas relataram que, na terça-feira, alguns planos de demissão foram acidentalmente compartilhados com funcionários antes do comunicado oficial. Esse incidente alimentou a incerteza e reforçou a percepção de que a reestruturação foi conduzida em ritmo acelerado e com comunicações ainda em ajuste.
Como economista sênior com foco em alta performance, observo que essa movimentação mostra uma calibragem típica de grandes plataformas que, após fases de expansão massiva, buscam alinhar estrutura operacional ao novo ciclo de crescimento sustentável. É uma redução do atrito organizacional para ajustar o “motor da empresa” a uma nova marcha, onde tecnologia e eficiência operacional ganham prioridade crescente.
Impactos no mercado de trabalho são inevitáveis: além da dimensão quantitativa dos cortes, há efeitos setoriais relacionados à cadeia de fornecedores, serviços logísticos e parceiros de tecnologia. A curto prazo, veremos uma desaceleração na contratação em áreas consideradas maduras e um redirecionamento de investimentos para iniciativas ligadas a automação, análise de dados e desenvolvimento de IA.
Para os stakeholders, a mensagem é clara: a Amazon está redesenhando seu desenho de políticas internas para acelerar decisões e reduzir custos fixos, ao mesmo tempo em que investe em capacidades tecnológicas. Restará observar como essa combinação de “freios fiscais” internos e aceleração tecnológica influenciará a competitividade da empresa e o ecossistema em que ela opera.






















