Por Stella Ferrari — A União Europeia decidiu avançar com a aplicação provisória do acordo comercial com o Mercosur, após a ratificação do tratado por Uruguai e Argentina. A autorização, conferida ao executivo comunitário pelo Conselho da UE em janeiro, recebeu recentemente o aval dos principais grupos políticos do Parlamento Europeu e abre uma janela para benefícios econômicos imediatos.
Em declaração à imprensa, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que “o Mercosur encarna o espírito com que a Europa atua no palco global” e que a medida reforça uma União mais forte e mais independente. “Nossas empresas, nossos trabalhadores e nossos cidadãos irão colher os frutos, e devem poder fazê-lo o quanto antes”, disse Von der Leyen, sublinhando que a iniciativa é uma alavanca de resiliência e crescimento.
Von der Leyen lembrou, contudo, que a aplicação é por natureza provisória: o pacto só poderá ser concluído definitivamente quando todos os atores envolvidos tiverem dado seu consentimento formal. A Comissão comprometeu-se a trabalhar em estreita coordenação com as instituições da UE, os Estados-membros e as partes interessadas para garantir “um processo fluido e transparente”.
O acordo com o bloco do Mercosur — composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai — foi qualificado por Von der Leyen como um dos mais relevantes desta primeira metade do século, não apenas como tratado comercial, mas como uma plataforma de relacionamento político profundo com parceiros que compartilham a visão de abertura e regras claras. Em sua perspectiva, um comércio aberto e baseado em regras gera resultados positivos para todos os envolvidos.
Do ponto de vista italiano, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, saudou a decisão como um impulso positivo para o export nacional. Em mensagem publicada na rede social X, Tajani descreveu a iniciativa como um motor adicional para a recuperação e expansão das vendas externas da Itália, e anunciou a convocação de uma task force comércio para segunda-feira, 2 de março, com o objetivo de atualizar as empresas sobre os desdobramentos na região das Américas.
Nem todos, porém, comemoram. O grupo da Lega no Parlamento Europeu manifestou oposição, qualificando a aplicação provisória como uma “grave forçatura” procedimental e de mérito. Segundo a bancada, a decisão teria atropelado o papel do Parlamento, que havia encaminhado o texto à Corte de Justiça para avaliar sua compatibilidade com os tratados. Em sua nota, o partido reafirmou a defesa da lealdade aos agricultores italianos, expressando preocupação sobre possíveis impactos setoriais.
Em termos de política econômica, a implementação provisória do acordo atua como uma calibragem fina — uma intervenção que busca aumentar a pressão competitiva e abrir mercados, sem desconectar o sistema de freios regulatórios. Para empresas que operam com luxo, commodities e agricultura, trata-se de uma aceleração das oportunidades comerciais, ao mesmo tempo em que exige monitoramento sobre normas sanitárias, padrões ambientais e salvaguardas industriais.
Do ponto de vista macro, a iniciativa reforça a tendência de diversificação de parcerias estratégicas fora do eixo tradicional e representa uma peça importante no design de políticas comerciais europeias para a próxima década. A tempo que o processo segue, caberá à Comissão e aos Estados-membros gerir a transição com precisão engenheiráil — como quem ajusta um motor para alcançar desempenho e sustentabilidade simultaneamente.






















