Por Stella Ferrari – 26 de fevereiro de 2026
Fontes de mercado indicam que A2A e os acionistas de controle da ERG estão próximos de assinar um Memorando de Entendimento (MoU) para uma operação de aquisição e incorporação a ser concluída ainda em 2026. A operação, em estudo com o apoio do assessor financeiro Rothschild, visa a formação de um grupo multiutility com capitalização combinada próxima a €11 bilhões, posicionando a nova entidade entre os principais players europeus de energias renováveis.
Segundo os dados confidenciados a este veículo, a A2A (capitalização de mercado de €7,6 bilhões) busca um salto dimensional de cerca de 50% por meio da incorporação da ERG (market cap de €3,55 bilhões). A intenção é reforçar o “motor da economia” energia renovável do grupo milanês, acelerando a transição estratégica do seu portfólio e ampliando a escala operacional.
Do outro lado, a operação pode destravar o impasse de governança existente entre a família Garrone (detentora de 51% da holding SQ Renewables) e o fundo australiano IFM (49%), hoje em posição de standoff. O MoU seria o passo preparatório para o lançamento de uma OPS ou OPAS com troca de ações, seguida do delisting da ERG de Piazza Affari e da fusão por incorporação.
As linhas principais do negócio, conforme apurado, contemplam uma troca de ações que poderia se estabelecer na faixa de 10 ações de A2A por 1 ação de ERG, com base nos preços de fechamento recentes de €2,40 (A2A) e €23,90 (ERG), e um prêmio potencial de 1 ou 2 ações adicionais. Essa relação leva em conta a base acionária discrepante — aproximadamente 3,192 bilhões de ações da empresa milanesa contra cerca de 150 milhões da ERG — e pode incluir uma componente em cash coberta por captação de mercado ou por financiamento bancário.
É preciso considerar também a posição financeira líquida (PFN) da A2A: cerca de €5,3 bilhões em setembro de 2025 ( versus €5,8 bilhões no final de 2024), sustentada por fluxo de caixa operacional robusto e um rácio PFN/EBITDA em 2,4x a 30 de setembro de 2025, o que traz margem para autofinanciamento parcial da operação sem comprometer a calibragem financeira do grupo.
O CEO Renato Mazzoncini aposta numa transformação estratégica que torne a A2A um polo integrado de serviços energéticos, com maior presença nas renováveis e sinergias operacionais que reforcem competitividade e rendimento. A fusão resultaria em uma entidade mais resiliente, capaz de disputar posições na Europa com escala e eficiência industrial — uma verdadeira otimização do design de políticas corporativas e das engrenagens de mercado.
Para os acionistas da ERG, a operação abre a possibilidade de exit, com a alternativa de reinvestimento na nova companhia caso seja definido um esquema de governança partilhado que preserve parte do upside do investimento para a família Garrone e para o IFM.
O cronograma divulgado em bastidores prevê a assinatura do MoU até março e o signing até julho, com o resto do processo regulatório e de autorizações a seguir ao longo do ano para concluir a incorporação. Se confirmado, o movimento poderá desencadear um novo ciclo de consolidações no setor de energia, em paralelo ao que já se observa no segmento bancário — uma fase de reconfiguração de ativos e competências que exige precisão estratégica e governaça robusta.
Comentando de forma pragmática: esta transação é uma manobra de elevada complexidade e impacto, que combina aquisição, delisting e fusão — mecanismos que, se bem calibrados, permitem ganhos de escala e sinergias financeiras, operacionais e regulatórias. Será crucial acompanhar os termos finais do acordo, a estrutura de governança proposta e a alavancagem resultante para avaliar os efeitos sobre o rating e a estrutura de capital do novo grupo.
Em resumo, a proposta — ainda em fase de moldagem — representa uma clara aceleração de tendência no mercado de energia italiano: a construção de megaforças capazes de operar com eficiência tecnológica e escala industrial, onde a A2A pretende assumir a dianteira.






















