Por Chiara Lombardi — Em Roma, na sede da Società Dante Alighieri, foi apresentado o livro Vita Eterna. Conversazioni con i miei nipoti, um encontro entre memória pessoal e responsabilidade pública assinado por Giovanni Bazoli. A sessão transformou-se num roteiro de reflexões sobre o que mantemos vivo: a fé, o laço entre gerações e a urgência de escutar em um tempo fragmentado.
O livro nasce daquilo que chamo de um eco cultural: perguntas autênticas de jovens que demandam respostas que não sejam meros slogans. No evento, o diálogo extrapolou as páginas e abriu-se à dimensão civil e cultural da obra — um convite a recompor laços sociais e a repensar práticas de transmissão entre avós, pais e filhos.
Intervieram Andrea Riccardi, Presidente da Società Dante Alighieri, e o Cardeal José Tolentino de Mendonça, Prefeito do Dicasterio para a Cultura e a Educação. Suas falas costuraram tradição e contemporaneidade, lembrando que a cultura é um espelho do nosso tempo e que a fé aparece tanto como tema literário quanto como força que molda memórias coletivas.
Giovanni Bazoli, Presidente Emérito do Intesa Sanpaolo, articulou memórias íntimas e reflexões de âmbito público. Seu testemunho defende o diálogo como responsabilidade: não se trata apenas de responder perguntas, mas de assumir o risco do encontro com as novas gerações. Em sua exposição, Bazoli recorreu a lembranças familiares e a episódios de vida que funcionam como pequenos quadros de cinema — cada cena, uma chave para entender o roteiro oculto da sociedade.
Como observadora do zeitgeist, vejo nessa apresentação mais do que uma promoção editorial: é um exercício de semiótica do viral e de crítica cultural. O livro propõe uma retomada do ouvir, uma prática que tensiona o presente e reframeia o passado para tornar possível um futuro comum. É nesse entrelaçar de tempos que se constrói a “vida eterna” das ideias — não em imortalidade literal, mas na persistência das narrativas que escolhemos preservar.
O encontro na Società Dante Alighieri também lançou luz sobre a dimensão pública do afeto e da autoridade moral numa Europa que busca referências. As intervenções de Riccardi e do Cardeal Tolentino de Mendonça reforçaram a noção de que instituições culturais podem ser palcos de reconciliação intergeracional, espaços onde a história individual e a história coletiva se cruzam e entram em diálogo.
Ao final, ficou o convite explícito de Bazoli: não nos furtar ao confronto com os jovens. É um chamado à escuta ativa, ao risco do testemunho e à paciência hermenêutica. Em tempos de comunicação instantânea e memória curta, obras como Vita Eterna lembram que a cultura age como um espelho e que o verdadeiro legado é aquilo que continuamos a conversar, geração após geração.
Leia este texto como se fosse a cena inicial de um filme que nos convoca a repensar as linhas do roteiro coletivo. E, ao fechar o livro, pergunte-se: que memórias queremos manter vivas?






















