Em uma manhã que cheira a tinta fresca e possibilidades, foi inaugurado o projeto Trame di Futuro, iniciativa de Saipem para a requalificação do subpasso ciclo‑pedonal da estação Milano‑Rogoredo, no lado de Santa Giulia. Não é apenas uma pintura nas paredes: é uma intervenção que costura identidade, uso e pertencimento, como uma trama que reaprende a respirar com a cidade.
O subpasso — um dos acessos principais à estação ferroviária e à metropolitana — ganhou nova vida graças à colaboração entre a empresa, o coletivo artístico Orticanoodles, e o Istituto Albe & Lica Steiner, com o patrocínio do Municipio 4 do Comune di Milano. A iniciativa faz parte do Piano Annuale delle Iniziative per le Comunità Locali 2025 de Saipem, e tem como norte criar um espaço mais acolhedor e com forte identificação local.
O trabalho dos artistas percorre cerca de 85 metros ao longo de duas paredes principais do subpasso. Uma parede foi pintada em italiano e a outra em inglês, uma escolha inclusiva que abre a obra tanto à comunidade do bairro quanto aos visitantes internacionais — uma espécie de mapa emocional que guia quem passa por ali. Ambas as superfícies desenham o mesmo roteiro visual: uma viagem que parte das pessoas, do seu engenho criativo, rumo a um futuro sustentável, marcada por paradas de uma metropolitana imaginária.
O elemento comunitário é pedra angular do projeto. Estudantes do Istituto Albe & Lica Steiner, orientados pela socióloga Francesca Chialà e por técnicos da Saipem, participaram de oficinas dentro do programa do Ministério da Educação para formação escola‑trabalho. Eles ajudaram a definir as estações da linha imaginária, trazendo ao mural olhares juvenis que enriquecem o diálogo entre escola, território e arte pública. O resultado exibe cores quentes e ritmos dinâmicos, assinados pelo coletivo Orticanoodles, que traduziu essa energia em formas que convidam à contemplação e ao uso.
Nas palavras de Massimiliano Branchi, Chief People, HSEQ and Sustainability Officer da Saipem, “com este projeto reafirmamos o compromisso em criar valor nos territórios onde operamos, promovendo inclusão social, sustentabilidade e regeneração urbana. A cooperação entre instituições, artistas, estudantes e comunidade é a maneira mais concreta de fortalecer laços e deixar um sinal duradouro.”
Stefano Bianco, presidente do Municipio 4, destacou que Trame di Futuro é um exemplo eficaz de requalificação urbana, nascido da criatividade e de um empenho compartilhado, e que demonstra a força da comunidade e da sustentabilidade nas transformações urbanas.
Ao caminhar pelo subpasso hoje, sinto a obra como uma colheita de hábitos mais leves: bancos que convidam à pausa, cores que recuperam a escala humana, símbolos que orientam e acolhem. É como se a cidade tivesse respirado fundo e aprendido a costurar, parede a parede, um futuro possível. Para quem vive e para quem passa por Rogoredo–Santa Giulia, Trame di Futuro não é apenas estética — é serviço, memória e promessa.
O projeto, ao envolver a educação, a arte e a iniciativa empresarial, mostra como a regeneração urbana pode ser um terreno fértil para práticas inclusivas. No lugar onde o trânsito humano costuma ser apressado, agora há uma narrativa visual que convida à desaceleração e à conexão: os ritmos do bairro, traduzidos em cores e palavras, voltam a pulsar.
Se a cidade é um organismo que vive em estações, esta intervenção é uma semente plantada no outono da infraestrutura, com promessa de florescer nas próximas primaveras urbanas.






















