Tesouro de Terzigno em destaque: “Oro e Mosaico” transforma o MATT
O Tesouro de Terzigno é exibido pela primeira vez em um percurso permanente que faz da riqueza encontrada nas vilas vesuvianas o verdadeiro centro do novo allestimento do Museo Archeologico Territoriale di Terzigno (MATT). Intitulado “Oro e Mosaico. La nuova magnificenza del MATT”, o projeto reconta, com finesse museográfica, a vida e os gostos da sociedade romana às vésperas da erupção de 79 d.C.
No novo itinerário expositivo, os metais preciosos — ouros e pratas — provenientes da Villa 2 di cava Ranieri ocupam posição central. Colares, joias, objetos de toilette e manufatos refinados compõem um painel material que funciona como espelho do nosso tempo: são sinais tangíveis de identidades, modas e hierarquias que o fogo preservou como num congelamento histórico.
Ao lado desses achados será apresentado, pela primeira vez em exposição permanente, um mosaico proveniente da Villa 6 — peça de altíssimo valor histórico e artístico que amplia o discurso sobre as estratificações culturais do território vesuviano.
O projeto nasce de uma colaboração institucional que reúne o Ministero della Cultura, o Parco Archeologico di Pompei, o próprio MATT, o Parco Nazionale del Vesuvio e o Comune di Terzigno. É um gesto curatorial e político: recontar uma paisagem cultural como um mosaico de lugares interligados, onde cada vila e cada objeto ajudam a compor o roteiro oculto da história local.
“Com Oro e Mosaico — afirmou o prefeito Francesco Ranieri — o MATT não è solo luogo di conservazione, ma spazio vivo di narrazione, conoscenza e partecipazione. Restituire questi reperti alla fruizione pubblica significa rafforzare il legame tra la comunità e la propria storia”. A declaração traça um compromisso claro: transformar o museu num centro de aprendizado e pertença, especialmente para as novas gerações.
O diretor do Parco Archeologico di Pompei, Gabriel Zuchtriegel, acrescenta que o Museu de Terzigno é “um altro tassello della Grande Pompei”: as vilas do território vesuviano, com suas decorações e rotinas, estão conectadas por histórias comuns — modelos decorativi, relazioni economiche e pratiche rituali — que só a leitura integrada pode revelar.
Recordemos os achados dramáticos da campanha de escavo de 1984 na Villa 2: foram encontrados os esqueletos de cinco pessoas que tentavam escapar da erupção. Entre eles, uma jovem que ainda vestia braceletes de ouro em forma de serpente, com olhos em pasta vítrea verde — joias que circularam inclusive em exposições internacionais, como no National Museum de Canberra, e em mostras nas Marche. Em breve, esses objetos estarão de volta a Terzigno para enriquecer o relato museográfico local.
Ao reunir ouro e mosaico em diálogo, o novo allestimento propõe um reframing da realidade: não se trata apenas de mostrar artefatos, mas de restaurar conexões e acender perguntas sobre memória, pertencimento e a persistência do passado no presente.





























