Por Chiara Lombardi — Na Gard Galleria Arte Roma Design abriu-se hoje uma mostra que funciona como espelho do nosso tempo: Osservando La Propria Anima, a bi‑personale que coloca em confronto as linguagens de Young Signorino (Paolo Caputo) e Futura (Chiara Tisi). Visível até 16 de março, a exposição convida o visitante a sentar-se no escuro e atravessar — com consciência — o território da dor até a eventual emergência da luz.
O que torna essa proposta tão instigante não é apenas o tema, mas o modo como dois universos estéticos aparentemente distintos encontram um roteiro comum: a exploração do sofrimento, da introspecção e da fragilidade humana. Nas telas de Futura a paleta e as texturas evocam o escuro, a renascença após a queda; já Young Signorino traduz o tormento em um vocabulário visual próprio, direto e catalisador.
Ambos apostam na arte como esfera de empatia — um lugar onde a dor deixa de ser anônima e se torna experiência compartilhada. O efeito é quase cinematográfico: você entra na sala como espectador e sai interlocutor de um roteiro oculto da sociedade, capaz de revelar a semiótica do viral emocional que nos une.
Concomitantemente, a Gard abriga a coletiva Sagome, curadoria que propõe uma variação sobre um mesmo tema. A palavra, tal como registrada no vocabulário Treccani, acumula significados — do instrumento de artilharia ao molde para construção, do perfil esquemático ao indivíduo excêntrico. Essa polissemia é perfeita para uma mostra plural, onde a figura recorta-se em múltiplas técnicas e narrativas.
Na coletiva Sagome apresentam-se obras de artistas que transitam por pintura, fotografia, escultura, grafismo pictórico e arte digital, compondo um mosaico de linguagens. Entre os nomes selecionados estão Maria Letizia Avato, Francesca Bianchi, Laura Casali, Federico Farnesi, Enrico Frusciante, Futura, Sonia Mazzoli, Giuseppe Mincuzzi, Alessandra Morricone, Gruppo Pavlovsky, Valeria Piro, Irene Salvatori, Young Signorino, Remo Suprani e Damiano Zignani. O conjunto revela um diálogo entre gêneros e técnicas, como se cada obra fosse uma silhueta — uma sagoma — a ser decifrada pelo olhar.
A sede do projeto, a Gard – Galleria Arte Roma Design, instalada em via dei Conciatori 3 i, é uma galeria histórica de Roma, fundada nos anos 1990 e conhecida por projetar eventos de arte e design tanto na Itália quanto no exterior. É aqui que o roteiro de introspecção de Osservando La Propria Anima encontra o cenário institucional e público para sua performance silenciosa.
Mais do que um simples encontro de obras, a bi‑personale funciona como uma cena de transformação: a arte como lugar de escuta e reencontro, um convite a reconhecer que, embora a dor seja íntima, ela não é singular. Em tempos de narração acelerada, esses trabalhos propõem um reframe — nos obrigam a olhar além do episódio e a sentir o eco cultural que a produção contemporânea desperta.
Visitação: de hoje até 16 de março. Endereço: Gard – Galleria Arte Roma Design, via dei Conciatori 3 i, Roma.





















