Por Chiara Lombardi — Na noite de domingo, 22 de fevereiro, espectadores italianos foram surpreendidos por uma viagem no tempo: reapareceu no ar, intacto, o famoso spot da SIP protagonizado por Massimo Lopez. Não era um remake, nem uma simulação por inteligência artificial. Era a reprodução integral do anúncio original, um verdadeiro achado arqueológico da comunicação que voltou a atravessar a tela com a contundência de um clássico bem contado.
Quem conferiu duas vezes o calendário achou que havia voltado a 1993; os mais jovens chegaram a considerar um glitch de transmissão. O que se viu foi o mesmo cenário: um deserto empoeirado, o pelotão que espera por trinta anos e a última ligação que estica o tempo até se transformar em mito. A imagem funciona como um espelho do nosso tempo: um enredo simples que, no entanto, revela o roteiro oculto de uma era em que o telefone era um fio precioso que costurava o país, não apenas um apêndice do corpo.
Embora a TIM (herdeira histórica do marca SIP) ainda não tenha emitido confirmação oficial, os indícios apontam para a Ligúria e para o palco que se aproxima: o Festival de Sanremo 2026, cuja abertura está marcada para 24 de fevereiro. Na condição de Main Partner da kermesse, a TIM parece jogar com a memória coletiva. A hipótese mais plausível é que o retorno do Massimo Lopez seja apenas um teaser — uma prévia de uma narrativa maior que unirá o fascínio do vintage às promessas do 5G.
O spot não é apenas uma relíquia sentimental; trata-se de um pequeno exemplar de narrativa publicitária impecável. Assinado pelo saudoso diretor Alessandro d’Alatri e idealizado pela agência Armando Testa, o anúncio transformou uma situação absurda — o condenado à espera de fazer uma ligação — em um verdadeiro ícone pop. Naquele período, a SIP estava prestes a se tornar a Telecom Italia (1994), e a campanha funcionou como um canto do cisne para uma marca que havia alfabetizado o país no uso da rede.
A operação nostálgica tem raízes sólidas: a SIP não foi apenas cabines e fichas; foi protagonista da inovação — já em 1977 testava em Turim a primeira conexão mundial por fibra óptica. Reapresentar hoje o logotipo e a assinatura daquele tempo é reivindicar um primado histórico em um mercado de telecomunicações cada vez mais fragmentado e acelerado. A decisão de TIM parece, portanto, a de deter o tempo por alguns segundos, como faz Lopez diante dos fuzis, para lembrar de onde viemos.
Resta a expectativa: veremos nos próximos dias outros “fantasmas” da publicidade reaparecerem na grade, ou será que o próprio Massimo Lopez subirá ao palco do Ariston para encerrar essa chamada infinita? O que importa é que a atenção já foi capturada e, nas redes, chovem hipóteses e interpretações. Em 2026, assim como há trinta anos, uma boa ideia — e uma telefonada — ainda pode alongar a vida útil de uma marca. No roteiro da cultura pop, o passado voltou como um refrão bem colocado, convocando-nos a ler o presente com outro sotaque.



















