Andrea Gibelli, presidente do Gruppo Fnm, reafirmou o compromisso do grupo cultural e corporativo com a preservação do patrimônio artístico ao participar da cerimônia de reexposição da estátua Santo barbuto com um livro, restaurada no âmbito do projeto Adotta una statua da Veneranda Fabbrica del Duomo. O gesto, explicou Gibelli, pretende ser também um lembrete: um tempo em que o trajeto — seja de trem, seja pelas ruas de Milão — era espaço para o estudo, para a leitura em papel e para o resgate da memória pessoal.
“Abbiamo scelto di proseguire il nostro impegno nel progetto ‘Adotta una statua’ sostenendo il restauro del ‘Santo barbuto con un libro’ anche per ricordare che, un tempo, il viaggio era uno spazio utile per lo studio…”, afirmou o presidente, traduzindo em ação a ideia de que o restauro não é só conservação material, mas um convite à reflexão sobre hábitos culturais que se dissolvem na pressa contemporânea.
O restauro da escultura foi possível graças às doações do Gruppo Fnm e à coordenação da Veneranda Fabbrica del Duomo, instituição responsável pela valorização artística e histórica da Catedral de Milão. A devolução da obra ao seu lugar de honra funciona como um pequeno ato de reencenação: a estátua volta a ocupar o cenário urbano e, simbólicamente, convida os transeuntes a retomar o contato com a leitura impressa.
Como analista cultural, vejo nesse gesto algo além da mera restauração física. O retorno do Santo barbuto com um livro é um espelho do nosso tempo — uma cena restaurada que nos força a ler o roteiro oculto da sociedade atual, onde a velocidade e a eficiência frequentemente substituem a contemplação e o estudo. Ainda que modesto, o apoio do Gruppo Fnm atua como um reframe: transformar uma estátua em um emblema da cultura da leitura urbano-europeia.
Há uma semiótica do viral e do rápido que domina os transportes e a comunicação; a restauração coloca em relevo a necessidade de contracenar com isso. A imagem do santo barbudo com um volume nas mãos funciona como metáfora — um roteiro silencioso que nos convida a desacelerar e a reaprender o gesto de folhear.
Este episódio também é um lembrete prático para instituições e empresas: patrocinar arte é patrocinar memória e hábito. Quando empresas como a Fnm investem em projetos como Adotta una statua, não financiam apenas limpeza ou reparo — suportam um ecossistema simbólico no qual a leitura, a história e o espaço público se entrelaçam.
Em suma, o retorno do Santo barbuto com um livro ao universo visível do Duomo é uma pequena peça de um mosaico maior: recuperar objetos culturais é também recuperar modos de atenção e afeto pela palavra impressa. Um convite elegante, quase cinematográfico, para que a cidade reaprenda a ler seus próprios trajetos.






















