Chiara Lombardi para Espresso Italia — A Reggia di Caserta ganha novos contornos institucionais com a nomeação de quatro personalidades para o seu Cda. As escolhas revelam o encontro — e por vezes a fricção — entre projeto cultural, técnica jurídica e equilíbrio político, como num roteiro que reflete o nosso tempo.
O Ministro da Cultura designou Paolo Santonastaso, advogado civilista e coordenador municipal de Fratelli d’Italia em Caserta, para integrar o Conselho de Administração da Reggia. Santonastaso traz para a mesa uma trajetória ligada tanto ao universo jurídico quanto à vida política local, sinalizando a presença de um ator com experiência prática na governança municipal.
Também anunciado pelo Ministério da Cultura está o nome de Nicolina Virgilio, ex-vice-prefeita de Aversa e atual conselheira municipal. Virgilio representa a conexão entre administração pública local e gestão patrimonial — um elo importante quando se trata de um monumento que é, simultaneamente, patrimônio mundial e recurso comunitário.
Num movimento que sublinha a dimensão técnica do Conselho, Marianna Pignata foi indicada pelo Ministro da Cultura, em intesa com o Ministro dell’Economia e delle Finanze. Professora de História della Giustizia na Universidade Vanvitelli, Pignata é descrita como especialista em aspetti storici e giuridici vinculados ao patrimonio culturale — um perfil que promete fortalecer a abordagem de tutela e pesquisa histórica dentro do órgão gestor.
Completa o quadro Raffaele Caterina, professor ordinario de Diritto privato na Università di Torino, nomeado pelo Consiglio Superiore per i Beni Culturali e Paesaggistici. A sua presença aponta para a necessidade de fundamentação jurídica robusta nas decisões relativas a contratos, concessões e proteção do bem histórico.
Essas nomeações não são meramente administrativas: são peças de um mesmo enredo que coloca a Reggia di Caserta no centro de uma narrativa maior — a do valor simbólico e econômico do patrimônio no tecido social contemporâneo. Como espelho do nosso tempo, o novo Cda traduziu escolhas que mesclam legitimidade política, competência técnica e sensibilidade histórica.
Resta observar, nos próximos meses, como esse Conselho conduzirá prioridades cruciais: conservação preventiva, fruição pública, diálogo com as comunidades locais e gestão financeira sustentável. A sinergia entre juristas, historiadores e representantes políticos poderá ser o refrão que transforma intenções em políticas efetivas — ou o ponto de tensão onde se testam interesses e visões distintas sobre o futuro do lugar.
Na encruzilhada entre memória e gestão, a nomeação desses quatro membros é um convite a olhar além da fachada barroca da Reggia: é um exercício de governança cultural que definirá não apenas intervenções técnicas, mas a forma como a herança será narrada e partilhada. Seguiremos acompanhando as primeiras decisões do novo Cda como quem observa os primeiros atos de um filme decisivo para o roteiro coletivo.
Chiara Lombardi — Espresso Italia






















