Entra em novo ato a Premio Strega em sua 80ª edição: o júri conhecido como Amici della domenica apresentou o primeiro bloco de dezesseis títulos que disputam o histórico prêmio literário fundado em 1946 por Goffredo e Maria Bellonci. O calendário já estabelece os próximos marcos: propostas até segunda-feira, 2 de março; novo grupo divulgado em 17 de fevereiro; a dozzina finalista será anunciada em 1º de abril; a votação da cinquina ocorrerá em 3 de junho no Teatro Romano de Benevento; e a cerimônia conclusiva está marcada para 8 de julho na praça do Campidoglio.
Há um sabor cinematográfico nesta seleção inicial: entre os nomes que se destacam está o veterano Ermanno Cavazzoni, 79 anos, autor de “Il poema dei lunatici“, obra que serviu de inspiração para “La voce della luna”, de Federico Fellini. Também aparecem figuras que transitam entre crítica e instituição cultural, como Lorenzo Pavolini, 61 anos, vicediretor de Nuovi argomenti e já finalista do Strega em 2010 com “Accanto alla tigre“. O escritor Michele Mari, 70 anos e multicampeão de prêmios, soma mais uma indicação com sua nova obra.
Segue a lista completa, em ordem alfabética, com autor, título (editora) e quem propôs:
- Graziella Bonansea, Tu che non parli (Vanda Edizioni), proposta por Paolo Ferruzzi;
- Ermanno Cavazzoni, Storia di u’amicizia (Quodlibet), proposto por Massimo Raffaeli;
- Cosimo Damiano Damato, Nessuna grazia. Gramsci e Pertini, una storia di prigionia e resistenza (Rai Libri), proposto por Raffaele Nigro;
- Vito di Battista, Dove cadono le comete (Feltrinelli), proposto por Maria Ida Gaeta;
- Mara Fortuna, La Canaria (Les Flâneurs Edizioni), proposta por Antonella Cilento;
- Massimo Gezzi, Adriatica (Gramma Feltrinelli), proposta por Laura Pugno;
- Roberto Ippolito, Wilde come se (Sem), proposto por Elisabetta Mondello;
- Orazio Labbate, Chianafera (NN Editore), proposto por Alberto Casadei;
- Fabio Macaluso, Volevo un tè al limone. La mia vita da bipolare (Marsilio), proposto por Daniele Rielli;
- Michele Mari, I convitati di pietra (Einaudi), proposto por Vittorio Lingiardi;
- Sebastiano Martini, Il frastuono del mondo (Voland), proposto por Dario Buzzolan;
- Lorenzo Pavolini, Mille (Marsilio), proposto por Giorgio van Straten;
- Pucci Romano, La soluzione (Love Edizioni), proposta por Riccardo Cavallero;
- Irene Salvatori, Non ancora 101 (Marcos y Marcos), proposta por Daniele Mencarelli;
- Nadeesha Uyangoda, Acqua sporca (Einaudi), proposta por Gaia Manzini;
- Piera Ventre, Stella randagia (NN Editore), proposta por Romana Petri.
Como observadora do cenário cultural, vejo nesta primeira leva um microcosmo do roteiro coletivo: convivem autores que dialogam com a memória cinematográfica, vozes que trazem ensaio biográfico e histórias intimistas que remetem à paisagem social contemporânea. A seleção funciona como um espelho do nosso tempo — tanto pela presença de autores consagrados quanto pela emergência de propostas que relembram a função pública da literatura.
Nos próximos capítulos desta temporada do Premio Strega, será instigante acompanhar quais obras irão resistir ao crivo dos jurados e do público, percebendo como o paladar literário muda sem perder a reverência pelos clássicos. É o roteiro oculto da sociedade que se desenha entre páginas e palcos: a literatura continua a oferecer diálogos necessários sobre memória, resistência e identidade.






















