Em um cenário onde o digital reescreve o roteiro da produção cultural, chega a Roma um debate que funciona como espelho do nosso tempo: no dia 11 de fevereiro, às 11h, na Sala Spadolini do Ministério da Cultura, será apresentada a investigação da Ipsos Doxa encomendada pela AIE — Associação Italiana Editores — sobre a pirataria na editoria de livros na era da Inteligência Artificial.
O encontro, promovido em parceria entre AIE e a FIEG (Federazione Italiana Editori Giornali), não é apenas uma entrega de dados: é uma tentativa de mapear o roteiro oculto que liga tecnologia, consumo e violação de direitos autorais. Convidada para as saudações institucionais está a Subsecretária da Cultura, Lucia Borgonzoni. A abertura ficará por conta de figure-chave do setor: Innocenzo Cipolletta, presidente da AIE, e Andrea Riffeser Monti, presidente da FIEG.
A apresentação do estudo será conduzida por Nando Pagnoncelli, presidente da Ipsos Doxa, cuja mediação promete contextualizar números com tendências culturais e comportamentais — a estatística como fotografia e como roteiro, ao mesmo tempo. Em seguida, uma mesa-redonda reunirá representantes das instituições e especialistas para traduzir os dados em política pública e ação prática.
Participam do painel Massimiliano Capitanio, Comissário da Autorità per le Garanzie nelle Comunicazioni (AGCOM), que trará a perspectiva regulatória; Crescenzo Sciaraffa, General de Brigada da Guardia di Finanza, com o olhar das forças que investigam e coíbem práticas ilícitas; Maria Letizia Bixio, da Università Europea di Roma, oferecendo o contraponto acadêmico; e Mauro Tosca, responsável pela antipirataria na AIE, que atuará na fronteira entre prevenção e remediação. A escritora Felicia Kingsley também intervirá, conectando a experiência criativa às ameaças que a pirataria representa para autores e mercado.
As conclusões ficariam a cargo de Federico Mollicone, presidente da Comissão Cultura da Câmara dos Deputados, encerrando o encontro com uma síntese que pode orientar políticas e prioridades legislativas. A moderação será de Luigi Contu, diretor da ANSA, cuja condução promete manter o debate afiado e pertinente.
Enquanto os dados e as recomendações técnicas são essenciais, vale lembrar que a discussão sobre pirataria e editoria na era da Inteligência Artificial traz à tona questões maiores: o papel da memória coletiva, o valor simbólico do texto e a economia da atenção. A tecnologia funciona aqui como um dispositivo de reframe — capaz tanto de ampliar o acesso ao conhecimento quanto de diluir as margens de proteção ao trabalho intelectual.
Assistir a este encontro é acompanhar, em primeira mão, como o setor editorial tenta reescrever suas próprias regras diante de um cenário que mistura inovação e ilicitude. É um convite a olhar além do óbvio: as soluções técnicas são importantes, mas tão cruciais quanto elas são as decisões políticas, a prática regulatória e a construção de um imaginário público que respeite o direito autoral como pilar da criação cultural. Em outras palavras, é o momento de compor um novo roteiro coletivo que proteja o ato de escrever como patrimônio e atividade econômica.
Para além do protocolo e das palestras, o evento promete ser um ponto de encontro entre quem produz, regula e protege o conteúdo — e uma chamada para refletirmos sobre qual será o próximo ato desta narrativa complexa entre cultura, lei e tecnologia.






















