No coração da Sala Tirreno da Regione Lazio, a segunda edição do prêmio Parola d’Oro reafirmou com elegância o poder da palavra como instrumento de diálogo, inclusão e construção coletiva. O evento, idealizado e presidido por Claudio David e conduzido pela jornalista Paola Delli Colli, reuniu representantes das instituições, do universo cultural, do espetáculo, da informação e do ativismo social — uma plateia que confirma: comunicar é, hoje, um ato público de responsabilidade e imaginação.
Mais do que uma cerimônia, a noite funcionou como um espelho do nosso tempo: um roteiro onde a boa comunicação se apresenta como recurso ético e estratégico para atravessar tensões e criar pontes. Entre os presentes estiveram o presidente da Regione Lazio, Francesco Rocca, o magistrado Valerio De Gioia e a assessora regional para Cultura, Simona Renata Baldassarre, sinalizando o apoio institucional a uma iniciativa que transcende categorias.
Os premiados representaram a amplitude do conceito valorizado pela iniciativa. Foram contemplados protagonistas de áreas tão diversas quanto música, cinema, televisão, jornalismo, arte, dança, empreendedorismo, direitos sociais, enogastronomia, comunicação visual, segurança, psicologia, inclusão e comunicação intercultural. Essa variedade comprova que a palavra circula e transforma, seja num palco, numa página impressa ou numa cozinha comunitária.
Destaques da noite incluíram o Mons. Marco Frisina, reconhecido na categoria Música sacra e comunicação espiritual, e Fabrizio Santori, premiado em Instituições e comunicação política. No campo das artes performáticas, a coreógrafa e jurada internacional Carolyn Smith foi homenageada na categoria Dança, espetáculo e comunicação televisiva. Na escrita, o reconhecimento foi para Andrea Pamparana; no cinema, a memória afetiva foi lembrada com o prêmio concedido a Andrea Roncato. E, com ênfase no papel do diálogo entre povos, Dundar Kesapli recebeu o troféu de Comunicação Internacional, pelo seu trabalho em favor do entendimento entre as culturas do Mediterrâneo e da Europa.
«Receber este prêmio é para mim um grande motivo de orgulho. É o resultado de anos de trabalho silencioso, de investimentos em tempo, energia e paixão», afirmou Kesapli, presidente da Associação de Jornalistas do Mediterrâneo. «Não é um traguardo pessoal, mas o reconhecimento de um percurso coletivo. Hoje colocamos sobre a mesa resultados concretos, mas sobretudo uma visão: continuar a construir pontes entre pessoas, culturas e países, porque só através da comunicação podemos edificar um futuro de paz e cooperação.»
Enquanto observadora cultural, é impossível não ler o Parola d’Oro como um gesto de resistência simbólica: uma reafirmação de que, num mundo acelerado e por vezes polarizado, a palavra pode e deve ser usada para costurar convivência. A premiação desenha, assim, um cenário de transformação onde a boa comunicação emerge como roteiro oculto que orienta práticas sociais, fomenta memórias coletivas e reconstrói laços.
Para além das estatuetas e dos discursos oficiais, o evento serviu como um laboratório público de reflexão sobre ética, visibilidade e responsabilidade. Ao premiar personalidades de áreas tão distintas, o Parola d’Oro reforça que comunicar bem não é apenas técnica — é compromisso. E, como um filme bem dirigido, a mensagem que fica é a de que cada palavra consciente tem o poder de redesenhar horizontes e aproximar mundos.






















