As votações terminaram e a expectativa se transforma em quase-revelação: a Academia está prestes a anunciar as indicações ao Oscar — e dois títulos parecem dominar a corrida. Os críticos e especialistas apontam One Battle After Another e Sinners, ambos distribuídos pela Warner Bros., como fortes candidatos a angariar uma dúzia ou mais de indicações, cobrindo categorias que vão de Melhor Filme a Melhor Ator, incluindo o recém-criado prêmio de Melhor Casting.
Há quem chegue a dizer que ambos os filmes podem se aproximar, igualar ou até superar o recorde histórico de 14 indicações — um feito até hoje dividido por Eva contra Eva, Titanic e La La Land. A presença de dois favoritos no mesmo estúdio é, por si só, um espelho curioso do momento: a Warner Bros. vive uma temporada de incertezas corporativas, no centro de uma guerra de ofertas entre Paramount Skydance e Netflix, o que dá a esse fenômeno um tom quase shakespeariano, como um grande estúdio em seu possível canto do cisne como distribuidor independente.
Sinners, dirigido por Ryan Coogler, conhecido por Black Panther, surge como um horror de época com influências de blues e ambientado no Sul segregado dos Estados Unidos. A produção traz Michael B. Jordan no papel duplo de gêmeos que enfrentam vampiros e racismo no Mississippi dos anos 1930 — uma mistura de mitologia e história que, nas previsões, renderia a Jordan uma indicação a Melhor Ator, além de potenciais convites para o elenco, roteiro e trilha sonora. Para o especialista em premiações do Variety, Clayton Davis, o cenário está montado para que Sinners alcance números nunca antes vistos por um único filme.
Por outro lado, a temporada tem sido amplamente dominada por Paul Thomas Anderson e seu One Battle After Another. O diretor — cuja filmografia percorre de Boogie Nights a There Will Be Blood — vem colhendo prêmios em quase todas as paradas pela sua obra: um thriller bizarro sobre um revolucionário aposentado em busca da filha adolescente, imerso em um cenário de violência radical, retaliações contra imigrantes e supremacismo branco. O filme quebrou recordes já nesta temporada, sobretudo em indicações ligadas à performance masculina; Leonardo DiCaprio, protagonista e premiado no passado, aparece virtualmente certo de ganhar sua sétima indicação ao Academy.
Enquanto isso, a Netflix não fica atrás: o serviço de streaming chega à disputa com títulos de peso, entre eles o horror monstruoso de Guillermo del Toro, Frankenstein; o drama western Train Dreams; e o musical de animação de sucesso KPop Demon Hunters. A diversidade de gêneros nesta corrida — do horror histórico ao musical animado — revela o amplo reaparelhamento do cinema contemporâneo, onde o entretenimento funciona também como crônica social.
O que está em jogo, além das estatuetas, é a narrativa que esses filmes desenham sobre nosso tempo: um roteiro oculto que conecta memória, trauma e fantasia, e que lança luz sobre tensões sociais muito reais. Em outras palavras, a corrida ao Oscar de 2026 não é apenas sobre quem ganha e quem perde — é um termômetro cultural, um pequeno delay que traduz o eco global de debates históricos e identitários.
Nas próximas horas, quando as indicações forem divulgadas, teremos o veredito da Academia. Até lá, o que se desenha é um duelo simbólico entre dois estilos de cinema — o épico introspectivo de Anderson e o horror épico-social de Coogler — ambos capazes de ressoar como um espelho do nosso tempo e, possivelmente, de reescrever estatísticas históricas.
Chiara Lombardi — Espresso Italia





















