Por Chiara Lombardi – Espresso Italia
O ministro da Cultura, Alessandro Giuli, anunciou a nomeação de quatro novos conselheiros para o Conselho de Administração (CdA) da rede Museus Nacionais da Úmbria. Os escolhidos — Federica Benda, Luisa Todini, Alessandro Campi e Andrea Assenza — assumem uma tarefa que é, ao mesmo tempo, administrativa e simbólica: desenhar o roteiro institucional de um acervo cujo diálogo com a comunidade atravessa séculos.
Entre os nomeados, Federica Benda destaca-se como empresária e mecenas, conhecida também por sua ligação pessoal com o mundo da moda e do mecenato, sendo esposa de Brunello Cucinelli. Alessandro Campi, professor e politólogo de reconhecida trajetória, traz para o conselho uma lente analítica importante para as políticas culturais. Luisa Todini e Andrea Assenza complementam o quadro com perfis institucionais e experiências que, espera-se, contribuirão para fortalecer a rede museológica regional.
O diretor Costantino D’Orazio e toda a equipe da Direção Regional Musei Nazionali Umbria saudaram os novos conselheiros e, com cortesia institucional, agradeceram aos membros que deixam o cargo: Corrado Azzollini, Brunello Cucinelli, Giovanna Giubbini e Laura Teza. A transição marca um novo capítulo administrativo, que ecoa além das salas expositivas e das reservas técnicas — é um pequeno reframe da narrativa pública sobre quem guarda e interpreta a memória material da região.
Os Museus Nacionais da Úmbria são uma rede extensa e diversa. Entre os sítios que compõem a gestão estão o Museo Archeologico Nazionale dell’Umbria (MANU) em Perugia, o Museo Archeologico Nazionale e Teatro Romano de Spoleto, o Museo Archeologico Nazionale de Orvieto e o Palazzo Ducale de Gubbio. A rede abrange ainda o Museo Paleontologico "Luigi Boldrini" de Pietrafitta e áreas arqueológicas emblemáticas, como a Necropoli Etrusca di Crocifisso del Tufo a Orvieto, a Rocca Albornoz – Museo Nazionale del Ducato di Spoleto, o Tempio sul Clitunno, a Villa del Colle del Cardinale, além de sítios como Carsulae, o Castello Bufalini, o Ipogeo dei Volumni e a Necropoli del Palazzone.
Nomeações como esta são mais do que trocas de cadeiras: funcionam como um espelho do nosso tempo, apontando prioridades, redes sociais de poder e as escolhas simbólicas que uma administração faz ao definir quem será responsável por conservar, comunicar e expandir o patrimônio. Na prática, a expectativa é que o novo CdA reforce a sinergia entre gestão, pesquisa e público, ampliando programas educativos, iniciativas de conservação e projetos de integração territorial que conectem os museus à vida cotidiana das comunidades umbreiras.
Enquanto observadora, vejo essa nomeação como um pequeno ato cinematográfico — um corte de cena que prepara o próximo ato do roteiro cultural da região. A trajetória e os perfis dos conselheiros podem redesenhar o enquadramento das narrativas exibidas nos espaços: seja preservando o silêncio eloqüente das pedras etruscas, seja redefinindo o discurso público sobre patrimônios que, por vezes, são tratados como figurantes na grande narrativa nacional.
Resta acompanhar como esse novo corpo diretivo dialogará com curadores, arqueólogos, gestores locais e plateias, traduzindo política em programação e conservação em experiência. O cenário está montado; agora cabe aos protagonistas traduzir vocabulário institucional em projetos que falem ao presente sem perder o laço com o passado.






















