Non chiamateci quote rosa — o título do livro de Valentina Cristiani soa como um sopro firme contra a ideia de favores e atalhos. Publicado em 2024 pela Pathos Edizioni e composto por 235 páginas, o livro é um mosaico de vozes que contam como o talento e a determinação abriram caminhos no campo tradicionalmente masculino do jornalismo esportivo.
Sou Alessandro Vittorio Romano, e leio esta obra como quem acompanha as estações: percebo um terreno que lentamente muda, uma respiração nova na paisagem do esporte e da comunicação. Cristiani não dá lições áridas; ela escuta e deixa que cada história floresça, mostrando que as mulheres não querem uma cota que as favoreça, mas o respeito pela sua competência.
No livro, cada capítulo é dedicado a uma profissional diferente. São histórias de paixão pelo futebol e por outros esportes, encontros com a injustiça, com o preconceito às vezes velado, às vezes explícito, e, sobretudo, com a perseverança. Entre os nomes apresentados estão: Alessandra Giovazzi, Alessia Manocchio, Alice Lopedate, Bianca Chiriatti, Carlotta Nicoletti, Carolina Barneri, Chiara Sani, Claudia Marrone, Claudia Peroni, Cristiana Buonamano, Cristina Lucarelli, Daniela Belmonte, Deborah Maranzano, Eleonora Tacconi, Federica Fossi, Federica Taranto, Francesca Devincenzi, Francesca Goni, Francesca Lagoteta, Francesca Rumunno, Gaia Brunelli, Giada Giacalone, Giorgia Panigalli, Giorgia Rieto, Giovanna Carollo, Lina Senserini, Manuela Bresciani, Marialuisa Jacobelli, Marina Presello, Marta Elena Casanova, Monica Matano, Roberta Termali, Sabrina Gandolfi, Silvia Pedini, Simona Marchetti, Sofia Oranges, Stefania Castella, Stefania Secci, Susanna Marcellini, Susy Fiorillo e Valeria Oliveri.
As prefácios e introduções assinados por Giorgia Rossi e Paola Ferrari enquadram a obra como parte de uma trajetória. Ferrari lembra que, há algumas décadas, o futebol era um planeta masculino incontestável — e que mulheres como ela, Rossi e a pioneira Rosanna Marani foram verdadeiras desbravadoras. Essas referências acendem uma linha de continuidade entre gerações, como raízes que sustentam uma colheita de novas práticas profissionais.
No texto de Cristiani, há tanto o relato profissional quanto a intimidade humana de cada entrevistada. A narrativa flui sem pressa, revelando episódios de microviolências, risos compartilhados nos bastidores, escolhas de vida e o peso de provar diariamente uma competência que alguns davam por inexistente. Este movimento me evoca a noção do ‘tempo interno do corpo’: cada carreira avança no seu ritmo e, quando a cidade respira diferente, também muda o lugar que as mulheres ocupam nas salas de imprensa e nas transmissões.
Mais do que um inventário de histórias, o livro é um convite — à escuta, à mudança de perspectiva e ao reconhecimento. Em tempos em que se discute tanto representação, a mensagem de Cristiani é clara: não queremos ser reduzidas a rótulos. Queremos que nossa voz conte, nossa análise pese, nosso olhar informe. É um chamado à convivência mais justa nas redações e nos estúdios.
Se você caminha entre a paixão pelo esporte e a atenção ao cotidiano humano, encontrará neste volume narrativas que combinam afeto e rigor. Em cada capítulo, há uma paisagem de superação, como jardins que insistem em brotar mesmo em chão difícil. Ler este livro é perceber que o jornalismo esportivo se enriquece quando abre espaço para múltiplas vozes — e que a verdadeira mudança nasce da soma de talentos, não de privilégios.


















