Morreu em Roma, aos 78 anos, a psicóloga e psicoterapeuta Maria Rita Parsi, uma referência nacional e internacional na defesa da infância e da adolescência. Em sua longa carreira, Parsi deixou ensinamentos que funcionam como pequenos roteiros para entender relações familiares, memória afetiva e a formação do sujeito — aquilo que chamo de um verdadeiro espelho do nosso tempo. Nesta hora de despedida, muitos voltam a ler suas palavras e a encontrar nelas um mapa para educar com presença e sentido.
Aqui, reúno cinco frases que sintetizam o pensamento de Maria Rita Parsi sobre amor, família, jogo e coragem — cada uma comentada com o olhar de quem acredita que o entretenimento, a cultura e a vida cotidiana representam cenas de um mesmo filme social.
1) Reconhecimento como base segura
“É preciso ser reconhecido, amado, desejado, compreso, ascoltato: questa è la prima base sicura per diventare persone che si stimano e che stimeranno, poi, gli altri.”
Em outras palavras: o fundamento para nos tornarmos sujeitos íntegros é o reconhecimento emocional. Sem essa base, o roteiro da identidade fica instável. A família é o set onde se aprende a olhar e a ser olhado com dignidade.
2) O valor terapêutico do jogo
“Um bambino che ha potuto giocare sarà un adulto sereno. Quando l’infanzia è stata triste, il bambino interiore dell’adulto rimane ‘murato dentro’.”
Parsi nos lembra que brincar não é passatempo: é linguagem, processamento emocional, ensaio de mundo. O jogo é como a cena em que o personagem aprende a agir — essencial para um adulto com equilíbrio.
3) Pais presentes, não perfeitos
“I figli non chiedono genitori perfetti, ma genitori presenti. Adulti capaci di dire i ‘sì’ che nutrono e i ‘no’ che proteggono.”
Uma máxima que desmistifica o perfeccionismo parental e aponta para o cuidado prático: limites que acolhem, decisões que educam. É a direção ética da família como escola de vida.
4) Família como primeira instrução de mundo
“La famiglia è la prima scuola di vita… Se in casa ci sono rispetto, amore e libertà c’è speranza di crescere adulti sani.”
Sem necessidade de teoremas psicanalíticos para compreender: o lar forma repertórios afetivos que serão exibidos no grande palco externo. A infância ensina maneiras de estar no mundo.
5) Coragem para viver a cada dia
“Bisogna sognare, esaltare la bellezza e la capacità di pensare… Il problema non è avere il coraggio di morire, ma di vivere ogni giorno.”
Uma frase que serve de clímax: a cura do medo — a angústia perante a morte — passa por uma prática cotidiana de sonho, beleza e pensamento. Viver é o ato de maior coragem.
O legado de Maria Rita Parsi ultrapassa as citações: suas palavras funcionam como um reframe que nos convida a reescrever a narrativa familiar e social. Em tempos rápidos e fragmentados, a lembrança de sua obra opera como um convite à presença: dos pais, dos educadores, das instituições e da própria sociedade. Ler Parsi hoje é voltar à cena original onde se aprende a amar, a exigir respeito e a resistir ao medo com coragem cotidiana.
Chiara Lombardi
Espresso Italia — cultura, comportamento e impacto social






















