Começamos 2026 observando a Itália como um verdadeiro espelho do nosso tempo: destino desejado tanto por viajantes nacionais quanto por estrangeiros. Segundo levantamento da Tecné para a Federalberghi e o monitoramento da ENIT e do MITUR, as festas de fim de ano — em particular a Epifania — confirmam a força do país no mapa do turismo global.
Os números descrevem um cenário claro: cerca de 1 milhão de italianos devem se deslocar especificamente para a data da Epifania, somando-se aos 5,5 milhões que já estavam de férias desde as festas anteriores. O total chega, portanto, a 6,5 milhões de viajantes no período festivo. A preferência é, em larga medida, pelo turismo doméstico: 94,9% dos deslocamentos ocorrerão dentro da Itália, enquanto apenas 5,1% dos viajantes optarão por sair do país.
No que diz respeito aos visitantes internacionais, há um movimento relevante de recuperação e ampliação: para 43,8% dos operadores turísticos monitorados houve um crescimento dos voos long-haul rumo às nossas regiões, impulsionado por mercados como Estados Unidos, Canadá, México e diversas frentes asiáticas. É o sinal de uma Itália que continua a exercer um fascínio transcontinental — não por acaso descrita pela ministra do Turismo, Daniela Santanchè, como uma nação que “nos faz começar o ano com um sorriso” e que segue atraindo a atenção do mundo.
Quanto ao perfil de movimento interno, há um interessante equilíbrio entre desejo de novidade e vínculo territorial: 53,3% dos italianos dizem preferir uma região diferente da de residência, mas ainda de proximidade, enquanto 32,3% optam por permanecer no próprio território. O padrão revela tanto a busca por pequenas escapadas quanto a manutenção de estratégias de viagem práticas e de curta distância.
Como analista cultural, vejo nessa fotografia estatística um roteiro oculto do comportamento coletivo: a escolha por destinos próximos fala de uma sociedade que reconfigura modos de lazer sem perder o apego aos territórios familiares — um reframe da realidade em que o turismo se transforma em extensão da vida cotidiana, não apenas em espetacularidade. Ao mesmo tempo, o aumento dos fluxos long-haul evidencia a permanência da Itália como eco cultural global, onde memória, paisagem e identidade continuam a seduzir públicos distantes.
Na prática, os dados apontam para um inverno positivo para a economia turística: hotéis e operadores relatam aumento de reservas e movimentação, com especial atenção às regiões que combinam patrimônios históricos, oferta gastronômica e experiências ao ar livre. Para os gestores e planejadores, a chave será equilibrar acolhimento e sustentabilidade, garantindo que o turismo de retomada não comprometa paisagens e comunidades locais.
Em suma, a Epifania de 2026 pinta a Itália como destino de proximidade e alcance global ao mesmo tempo — um filme com camadas históricas e contemporâneas, cujo roteiro continua a ser escrito entre turistas e territórios.































