Por Chiara Lombardi — Quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
No próximo domingo, 1º de fevereiro, as Gallerie d’Italia, o polo museal do Grupo Intesa Sanpaolo, abrem suas portas com entrada gratuita, seguindo a iniciativa que permite visitas livres na primeira domingo de cada mês. A data ganha um peso maior neste fevereiro: além da gratuidade, será a última oportunidade para conferir a exposição de Jeff Wall, um evento que transformou as salas em um ponto de encontro entre fotografia contemporânea e a narrativa visual como espelho do nosso tempo.
Fevereiro reserva ainda uma programação pensada para celebrar datas que pendulam entre o íntimo e o coletivo. No sábado, 14 de fevereiro, as quatro sedes — Milano, Napoli, Torino e Vicenza — oferecem promoção 2×1, convidando casais, amigos e visitantes solitários a redescobrir coleções permanentes e mostras temporárias sob o tema da paixão e do romantismo. Durante a semana de Carnevale (15 a 21 de fevereiro), as unidades apresentam atividades especiais para crianças e famílias, reforçando o papel do museu como palco de educação e ofício cultural.
Em Milano, a sede propõe um recorte histórico e estético de grande fôlego com a mostra Eterno e visione. Roma e Milano capitali del Neoclassicismo, curada por Francesco Leone, Elena Lissoni e Fernando Mazzocca. Com mais de cem obras — pinturas, esculturas, mármores, desenhos, gravuras e exemplos notáveis de arte decorativa — a exposição traça um diálogo entre duas capitais artísticas, reconstruindo trajetórias de nomes centrais como Antonio Canova, Giuseppe Bossi e Andrea Appiani. É um reframe da memória artística que permite ver, em espelhos paralelos, como tradições e projetos estéticos moldaram a modernidade europeia.
No interior do caveau de Milão, abre espaço a nova apresentação fotográfica de Gianni Berengo Gardin, Lo studio di Giorgio Morandi, parte do projeto amplo Metafisica/Metafisiche, curado por Vincenzo Trione e incluído no programa da Olimpiade Culturale Milano–Cortina 2026. A série documenta o ambiente íntimo do atelier de Morandi e funciona como uma semiótica do estúdio — um pequeno universo onde o gesto e o objeto se tornam imagem.
Outra atração de Milão, inaugurada em 6 de fevereiro, é a mostra fotográfica La strada per Cortina. VII Giochi Olimpici Invernali 1956, organizada por Aldo Grasso. A exposição revisita os serviços fotográficos da Agência Publifoto sobre os primeiros Jogos Olímpicos de Inverno realizados na Itália, em Cortina d’Ampezzo, conectando passado e presente numa narrativa visual que dialoga diretamente com a temporada esportiva e cultural de 2026.
Para o dia de San Valentino, no sábado 14, às 16h, as Gallerie di Milano propõem a visita guiada GALLERIE MON AMOUR: um percurso de pequenas estações pelas coleções permanentes, pensado para casais, amigos ou visitantes individuais que queiram decifrar os códigos do amor na arte. Custo: 5€ por pessoa (exclui ingresso); reserva recomendada pelo número verde 800.167619 ou por email [email protected].
Nas sedes de Napoli, Torino e Vicenza a programação de fevereiro inclui ofertas educativas, visitas temáticas e mostras temporárias que ampliam o diálogo com o público local e com visitantes. Entre elas, destaca-se a última chance de ver a mostra de Jeff Wall — um capítulo importante do calendário expositivo das Gallerie que merece ser visto antes de encerrar.
Mais do que um convite à visita, este conjunto de iniciativas das Gallerie d’Italia funciona como um roteiro simbólico: por um lado, a gratuidade e as promoções aproximam a cidade e a comunidade; por outro, as mostras e as ações curatoriais relembram que a arte é um roteiro oculto da sociedade — um mecanismo de memória e projeção que nos permite entender quem fomos e quem desejamos ser.
Se a cidade é um set onde se desenrolam afetos e histórias, as Gallerie d’Italia propõem, em fevereiro, uma temporada em que o museu se transforma em sala de cinema e arquivo simultaneamente: lugar de observação, encontro e reavaliação do nosso tempo.






















