Em um cruzamento entre música e quadrinhos, a cena pop italiana ganha um novo capítulo autoral. A cantora e compositora Francesca Michielin, conhecida por sua relação íntima com a cultura contemporânea, assina o sujeito de uma história em quadrinhos de autoría italiana que integra a antologia internacional Supergirl: Il mondo. Publicada pela Panini Comics na Itália, a coletânea chega ao público em edição cartonada de 184 páginas, com lançamento mundial marcado para 2 de junho.
O projeto português-dialetizado dos quadrinhos segue a linha editorial das antologias anteriores da série Il mondo, que já exploraram personagens como Batman, Joker e Superman a partir de múltiplas lentes culturais. Aqui, Supergirl é reconstruída por 15 países diferentes, formando um mosaico narrativo que investiga como uma mesma heroína ressoa além das fronteiras.
O volume italiano nasce de uma equipe inteiramente feminina: além de Francesca Michielin no conceito, a roteirista Irene Marchesini desenvolve o enredo e a ilustradora Federica Croci dá forma visual à narrativa. Marco Marcello Lupoi, Diretor Executivo de Licensing and Publishing da Panini Comics, destaca que o trio feminino promete apresentar “uma Supergirl que vocês ainda não conheceram”, reforçando a aposta em vozes diversas para renovar mitologias consagradas.
No cerne da proposta está uma leitura sensível do arquétipo: segundo Francesca Michielin, escrever para Supergirl é narrar “uma jovem a quem foi pedido que fosse forte antes mesmo de poder ser frágil”. A intenção é revelar o lado silencioso da super-heroína — ansiedade, dúvida e o colapso momentâneo dos poderes — e afirmar que perder força não equivale a perder valor. É um reframing da figura heroica, que desloca o foco da onipotência para a humanidade.
Para Irene Marchesini, o encontro entre música e quadrinho carrega “o mesmo sabor de desafio” que motiva artistas a migrar entre linguagens. Já Federica Croci sublinha o papel inspirador do projeto: colaborar num trabalho todo feminino pode ser um farol para jovens artistas e reforçar a importância da representação de gênero nas narrativas populares.
A antologia reúne contribuições de autores e autoras da Alemanha, Espanha, Brasil, México, Argentina, Camarões, França, Polônia, Turquia, Finlândia, Colômbia, Sérvia, Japão e Estados Unidos, formando um panorama global sobre uma das heroínas mais icônicas do universo DC. Mais que um produto editorial, o volume funciona como um espelho do nosso tempo: histórias em quadrinhos como campo de experimentação cultural, onde o superlativo do herói é reescrito pela sensibilidade local.
Do ponto de vista cultural, a participação de uma musicista como Francesca Michielin no universo dos quadrinhos reforça a ideia de que entretenimento não é apenas lazer, mas uma arena de memória coletiva e construção identitária. É como assistir a um filme premiado em uma sala de bairro: a imagem individual se refrata no coletivo e revela o roteiro oculto da sociedade.
Supergirl: Il mondo estará disponível em quadrinhos e livrarias, além de plataformas online, a partir de 2 de junho. Para leitores e leitoras interessados em observar o eco cultural que a figura heroica provoca em diferentes latitudes, esta antologia promete mais do que ação: promete reflexão.






















