Chiara Lombardi para Espresso Italia — A França anunciou um movimento decisivo: pretende aprovar por lei a restrição ao uso das redes sociais por jovens menores de 15 anos. A iniciativa, repercutida pela imprensa europeia e inspirada por alertas sobre os efeitos nocivos da hiperconexão, reabre um debate que é ao mesmo tempo técnico, ético e cultural.
A justificativa oficial não é apenas administrativa: vem da percepção de que o consumo excessivo de plataformas digitais está, de fato, a emburrecer — ou, em termos mais precisos, a anestesiar a capacidade crítica e relacional das novas gerações. Vivemos, como descrevem analistas, uma sociedade de solidões conectadas, um cenário em que rostos, selfies e egos digitais substituem conversas, rituais e aprendizagens compartilhadas.
Como uma cena repetida no cinema distópico, vemos comunidades se retrair: o quadro do jovem semelhante ao fenómeno japonês do hikikomori é usado como metáfora para ilustrar a perda de laços sociais. É uma imagem que funciona como um espelho do nosso tempo: as telas prometem mundo e, paradoxalmente, encenam o isolamento.
Mas a decisão francesa provoca duas reações opostas, e ambas merecem ser examinadas sem maniqueísmos. De um lado, há alívio e aprovação: finalmente um Estado que reconhece o problema e tenta intervir. Do outro, há ceticismo sobre o método. O argumento central contra o proibicionismo é clássico e perspicaz: leis não formam intimidades; proibições raramente mudam comportamentos enraizados, e podem deslocar problemas para a clandestinidade digital.
É aqui que entra a proposta que venho defendendo com maior convicção: em vez de confiar apenas no punho legal, precisamos investir na educação digital — a via paideutica. Ensinar não é apenas explicar riscos; é reconstruir repertórios de convivência, cidadania e pensamento crítico que permitam aos jovens negociar a rede sem se tornarem seus prisioneiros. Bons professores, práticas culturais e políticas públicas integradas têm potencial para produzir uma adesão interior, uma mudança de atitude que a lei sozinha não alcança.
Em termos práticos, isso significa programas que combinem alfabetização midiática, regulação das plataformas, apoio à saúde mental e espaços sociais reais onde a juventude possa experimentar presença e vínculo. Também exige uma reflexão europeia mais ampla sobre o papel das empresas tecnológicas e sobre como o design das plataformas modela comportamentos — o roteiro oculto da sociedade contemporânea.
Não se trata de romantizar a era pré-digital, como se tudo fosse harmonia perdida. Trata-se de reconhecer que a digitalização total da vida exige respostas que sejam, ao mesmo tempo, normativas e pedagógicas. A questão é: queremos apenas limitar um problema com um remédio legal, ou preferimos redesenhar, com inteligência cultural e políticas públicas, o ecossistema que produz esse problema?
Ao final, a iniciativa francesa funciona como um sintoma e um convite: sintoma de uma crise cultural que já permeia escolas e famílias; convite a repensar o equilíbrio entre liberdade e proteção, entre regulação e formação. Como analista cultural, vejo nesta encruzilhada uma oportunidade para reivindicar a centralidade da educação — não como alternativa romântica, mas como estratégia eficaz e duradoura contra o processo de anestesia cognitiva que ameaça as futuras gerações.
Fonte original: La Presse / Il Giornale d’Italia. Comentário de Diego Fusaro repercutido na imprensa; análise e reescrita por Chiara Lombardi, Espresso Italia.




















