Por Chiara Lombardi — Voo transatlântico entre roteiro e tecido: New York acolhe, nas salas do Istituto Italiano di Cultura, a mostra Fashion Frames, uma curadoria assinada por Stefano Dominella que inaugura em 11 de março e fica aberta ao público até 4 de abril. A exposição transforma manequins em estrelas e os vestidos em narrativas visuais, revelando o diálogo íntimo entre cinema, estilistas e costumistas — o mesmo roteiro que ajudou a projetar o made in Italy no palco global.
“Nos anos 1950, foi o cinema que mostrou ao mundo que em Roma nascia uma nova tendência de alta-costura italiana”, explica Dominella. “A capital se tornou uma espécie de ‘Hollywood sul Tevere’, uma fábrica de sonhos onde o estilo encontrava a narrativa e, juntos, definiram uma era.” Este comentário funciona como um espelho do nosso tempo: a vitrine não apenas reconta histórias de glamour, mas mapeia o roteiro oculto pelo qual a imagem transforma-se em mito cultural.
A exposição reúne 30 criações históricas assinadas por nomes como Fernanda Gattinoni, Valentino, Giorgio Armani, Max Mara, Versace e Guillermo Mariotto, além de peças de ateliês como Annamode Costumes. As peças, provenientes de importantes acervos históricos e do arquivo pessoal do curador, dialogam com as personagens que as vestiram — provando que o vestido pode ser tão protagonista quanto a própria intérprete.
Entre as silhuetas exibidas há imagens que ecoaram por décadas: os drapeados que envolvem Lana Turner, apontando para um protótipo new romantic; o corte império usado por Audrey Hepburn em Guerra e Paz, que inaugurou uma estética global; e o vestido de sereia que envolve Anita Ekberg na célebre cena da Fontana di Trevi em La Dolce Vita, convertendo cena em ícone de sensualidade.
O acervo expõe também peças associadas a nomes que atravessam gerações: o vestido usado por Sabrina Ferilli em La grande bellezza (filme vencedor do Oscar de Paolo Sorrentino), a imagem estática e mediterrânea de Monica Bellucci em Malèna (dirigido por Giuseppe Tornatore), e trajes contemporâneos vinculados a figuras como Scarlett Johansson e Beyoncé. Ao lado delas, a elegância clássica de Ornella Muti, Claudia Cardinale, Gina Lollobrigida, Maria Callas e a eterna Sofia Loren — cujo vestido vermelho na cena do mambo, em Pane, amore e… de Dino Risi, permanece na memória coletiva.
O resultado é uma narrativa curatorial que não apenas exibe peças, mas reescreve a semiótica do viral: como um figurino amplifica caráter e cria mitologias de imagem. Fashion Frames propõe um reframe da relação entre alfaiataria, set e estrela, evidenciando o papel estratégico do figurino como linguagem de assinatura cultural.
Para o visitante, a mostra funciona como um roteiro sensorial — luzes, tecidos e silhuetas que ilustram como a moda costurou sua própria narrativa com o cinema e como, por meio dessa aliança, o made in Italy se consolidou enquanto marca simbólica. É uma viagem através de cortes, drapeados e atuações que ajudaram a ditar tendências e a fabricar sonhos.
Informações práticas: Fashion Frames inaugura em 11 de março no Istituto Italiano di Cultura em New York e segue em cartaz até 4 de abril. Uma mostra para fãs de moda, história do cinema e para quem busca entender a costura cultural por trás das imagens que nos moldaram.






















