Chiara Lombardi — Quando o cinema decide virar lente investigativa sobre uma vida inteira dedicada ao passado, temos mais do que uma biografia: encontramos um espelho do nosso tempo. É nesse registro que se insere The Man with the Hat, o novo documentário hollywoodiano centrado em Zahi Hawass, o arqueólogo que se tornou ícone contemporâneo das antigas areias do Egito.
O filme, dirigido por Jeffrey Roth — fundador da Playground Productions e conhecido por trabalhos que cruzam política e ciência, como documentários sobre ex-presidentes norte-americanos e os astronautas do programa Apollo — chega ao público após quase dois anos de produção. Roth descreve o projeto como “um dos mais grandiosos e significativos” já empreendidos por sua produtora, um marco que sucede iniciativas como King of the Pyramids, da National Geographic.
Em sua essência, The Man with the Hat acompanha a trajetória de Zahi Hawass: a carreira, os primeiros passos no terreno arqueológico, as décadas de escavações e restaurações e o papel que ele assumiu como mediador entre o patrimônio egípcio e o olhar global. Ao transformar a vida de um arqueólogo em narrativa cinematográfica, o filme propõe um reframe da realidade — questiona como lembramos e preservamos o passado, e como essas memórias dialogam com a identidade contemporânea.
A estreia mundial está marcada para o dia 10 de janeiro de 2026 no histórico Lido Theatre, em Newport Beach, Califórnia, com sessões às 14:00 e 19:00. Zahi Hawass participará das exibições pessoalmente, ao lado do diretor Jeffrey Roth. Cada sessão será seguida por um debate moderado e uma sessão de autógrafos, oportunidade rara para confrontar as imagens do documentário com relatos diretos do protagonista.
Do ponto de vista cultural, o lançamento de The Man with the Hat não é apenas sobre um homem ou sua carreira; é um episódio do roteiro oculto da sociedade que revela como heranças arqueológicas se tornam também instrumentos de diplomacia, identidade nacional e indústria cultural. A figura de Zahi Hawass funciona como uma lente — às vezes iconoclasta, às vezes reverente — sobre como o Egito moderno negocia seu passado faraônico em cena global.
Para quem acompanha as intersecções entre entretenimento, memória e poder simbólico, o documentário promete ser mais do que entretenimento: é uma dissecação elegante do encontro entre ciência, celebridade e política cultural. A presença de Hawass e de Roth em Newport Beach deve render momentos de diálogo que ultrapassam a sessão de cinema, oferecendo reflexões sobre o papel do arqueólogo como curador e narrador do tempo.































