Por Chiara Lombardi – 27 de janeiro de 2026
A Embaixada de Mônaco em Roma, sob a direção de S.E. Anne Eastwood, acolheu pela terceira vez consecutiva a Assembleia Geral dos prefeitos dos municípios italianos membros dos Sítios Históricos Grimaldi. O encontro confirmou a vitalidade de uma rede que já reúne 46 municípios ao longo da península, articulando memórias locais com estratégias contemporâneas de promoção cultural e turística.
Presidida, na Itália, pelo prefeito de Dolceacqua, Fulvio Gazzola, a associação italiana distingue-se pelo dinamismo dos seus projetos: iniciativas culturais, ações desportivas e programas ambientais que traduzem o patrimônio comum desses antigos feudos em oportunidades concretas de desenvolvimento. É uma espécie de roteiro oculto da sociedade onde o passado imperial dos Grimaldi encontra o presente do município, criando um eco cultural capaz de transformar território em narrativa viva.
Dirigindo-se aos prefeitos presentes — entre eles representantes de cidades bem conhecidas como Gênova e Ventimiglia, além de delegações vindas do sul da Itália —, S.E. Anne Eastwood reafirmou a proximidade do Principado com esta “grande família monegasca”. O compromisso do Principado com a rede resultará, em 2026, em novas iniciativas promovidas pelo Príncipe Alberto II nos municípios recentemente integrados, além da organização, em Roma, de um evento dedicado ao conhecimento desses sítios e à riqueza da sua herança culinária.
Os laços entre a família Grimaldi e a Europa são profundos: com mais de 700 anos de história, os Grimaldi estão associados a mais de 150 localidades em França, Itália e Espanha, fruto de alianças, acordos diplomáticos e matrimônios. Em 2015, numa iniciativa do então prefeito de Menton, Jean-Claude Guibal, e de SS.AA. o Príncipe Alberto II, nasceu a Association des Sites historiques Grimaldi de Monaco. A partir daí, o príncipe impulsionou a criação de associações nacionais, coordenadas por uma federação sediada no próprio Principado.
Em resposta a este quadro, e por mandato palaciano, Fulvio Gazzola trabalhou para a constituição da entidade italiana, que foi formalmente criada no início de 2020. A associação italiana, cujo presidente honorário é o Príncipe Alberto II, tem como objetivo reunir os municípios que, por sua história, mantêm vínculos com a família Grimaldi. A proposta é clara: transformar essa herança partilhada num projeto de cultura e promoção turística, capaz de ampliar visibilidade e gerar progresso, sustentado pelos valores que hoje representam o Principado.
Mais do que uma reunião protocolares, a Assembleia em Roma foi um pequeno palco — um espelho do nosso tempo — onde histórias locais se encontraram com a diplomacia cultural. A articulação entre instituições monarquicas e administrações municipais desenha um mapa de cooperação que não é apenas comemorativo, mas orientado à ação: eventos gastronômicos, circuitos históricos, iniciativas ambientais e parcerias desportivas que prometem fazer do passado um motor para o futuro.
Para quem observa o cenário com curiosidade sofisticada, o trabalho dos Sítios Históricos Grimaldi representa um reframe da realidade: ao reunir localidades diversas sob um mesmo denominador histórico, a federação constrói uma narrativa europeia transregional, onde o patrimônio cultural funciona como fio condutor de políticas públicas locais e internacionais.
Fica a expectativa pelas ações de 2026, que devem traduzir em eventos e atos concretos a intenção anunciada em Roma: transformar laços antigos em projetos contemporâneos, preservando memórias e gerando oportunidades turísticas e culturais. Um roteiro que, como todo bom filme, promete revelar mais nas próximas cenas.






















