Por Chiara Lombardi — Em um dia que parece tirado de um roteiro arqueológico, Mirco Carloni, Presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, destacou a importância do achado em Fano: a recuperação da Basilica Vitruviana, a única obra que Vitruvio (Marco Vitruvio Pollione) afirma ter projetado e construído pessoalmente no tratado De Architectura. O reconhecimento público vem como coroamento de anos de pesquisa, sobretudo do trabalho do Centro Studi vitruviani.
“É para mim uma grande honra omaggiar o trabalho do Centro Studi vitruviani…”, disse Carloni, ao sublinhar a persistência e a crença coletiva que permitiram transformar hipóteses em evidência física. Recordando sua trajetória como vereador municipal e regional, ele lembrou o empenho contínuo nas pesquisas e nas iniciativas que culminaram nesse momento.
A cidade de Fano, já identificada historicamente como “cidade de Augusto” e “colonia Iulia”, revela novamente por que foi favorecida pela fortuna: a descoberta de um poderoso colonnato — uma sequência de colunas que implantava a presença monumental do edifício no cenário urbano e simbolizava sua função pública. Segundo Carloni, trata-se de um pórtico pertencente a um edifício público destinado à vida social e política, um verdadeiro palco cívico onde se desenrolavam decisões e encontros da administração antiga.
O político agradeceu explicitamente ao arquiteto Pessina e à equipe que conduziu as escavações e a pesquisa, bem como ressaltou a relevância institucional da ocasião, marcada pela presença do presidente Acquaroli e do ministro Giuli. Carloni acompanhou a visita técnica ao sítio ao lado do prefeito e do assessor Ilari, qualificando a visão do colonnato como “grandiosa” — um elemento que, após dois mil anos, devolve a voz a Vitruvio, quase como um roteiro recuperado que nos permite ler as intenções políticas e urbanas daquela época.
Como observadora do cenário cultural, vejo essa descoberta como mais do que um achado: é um espelho do nosso tempo que revela como a memória material molda identidades contemporâneas. A reemergência da Basilica Vitruviana é um reframe da história local e europeia, uma peça que reconta a semiótica do poder público antigo e renova o diálogo entre passado e presente.
O resgate, portanto, não é apenas arqueológico, mas também simbólico. Recuperar um colonnato é recuperar um palco de sociabilidade: um espaço que confirmava a centralidade pública na vida cívica. É legítimo afirmar que, para Fano, para as Marche e para toda a comunidade acadêmica e cultural, trata-se de um dia emocionante e significativo — uma cena potente que será discutida à luz dos estudos vitruvianos nas próximas temporadas de pensamento urbano e patrimônio.
Ao final, o agradecimento de Carloni ecoa como fechamento de um capítulo e convite à continuidade: celebrar o trabalho coletivo, valorizar as competências técnicas e manter o compromisso com a pesquisa são passos essenciais para que descobertas como essa se transformem em legado público, museografado e vivido pela cidade.






















