Por Chiara Lombardi — Em um gesto que é ao mesmo tempo cortejo e contrato simbólico com a memória coletiva, Fedele Confalonieri, presidente da Veneranda Fabbrica del Duomo, destacou a importância das novas adesões empresariais em favor da catedral de Milão. “Estou contente com essa nova adesão, por parte do Gruppo Fnm. São recursos que chegam ao Duomo, que sempre precisa”, afirmou Confalonieri durante a cerimônia de descerramento da estátua restaurada “Santo barbuto con Libro”.
O restauro integra o projeto “Adotta una statua”, iniciativa da própria Veneranda Fabbrica del Duomo que convida empresas e instituições a apadrinharem obras e elementos arquitetônicos da catedral. A intenção é nítida: traduzir compromisso privado em cuidado público, preservando o tecido artístico que faz do Duomo um espelho do nosso tempo e um roteiro oculto da história milanesa.
Confalonieri ressaltou que, apesar do boom do turismo em Milão, o Duomo ainda sente os efeitos do período de pandemia. “Apesar do aumento do fluxo turístico, o Duomo ainda sofre as consequências do Covid. Por isso devemos agradecer a apoiadores como as Ferrovie Nord e, igualmente, à Regione Lombardia, que nos ajudaram e continuam a ajudar”, declarou. A menção à Regione Lombardia e às Ferrovie Nord evidencia uma aliança entre setor público e privado que se apresenta como modelo de sustentabilidade patrimonial.
O projeto Adotta una statua já atraiu diversas empresas, entre elas o Gruppo Fnm, que se somam ao esforço de valorizar o patrimônio histórico e artístico da Catedral de Milão. Restaurar uma estátua não é apenas uma operação técnica: é reescrever, com delicadeza, capítulos de um roteiro histórico, permitir que a escultura volte a falar com as novas gerações e restabelecer a semiótica do lugar.
Ao observar essa dinâmica, é impossível não pensar no Duomo como um cenário de transformação contínua — um monumento que abriga memórias múltiplas e que se mantém vivo graças à convergência de interesses culturais, institucionais e empresariais. O ato simbólico do descerramento do “Santo barbuto con Libro” funciona como um microcosmo dessa relação: a restauração é um gesto artístico que reverbera socialmente, sinalizando responsabilidade coletiva.
Para além da cerimônia, há uma leitura cultural mais ampla: quando instituições como a Veneranda Fabbrica del Duomo articulam parcerias com grupos como o Gruppo Fnm e recebem o apoio da Regione Lombardia, desenha-se um novo capítulo na gestão do patrimônio — mais colaborativo, pragmático e consciente do papel simbólico que locais como o Duomo desempenham na identidade urbana.
Em suma, a iniciativa representa uma tradução contemporânea do cuidado com o patrimônio — um investimento que protege pedras, histórias e espelhos do nosso tempo. E é com essa consciência que agradecemos aos que, de forma concreta, mantêm acesa a relação entre passado e presente: empresas, governos e cidadãos que adotam estátuas e, com isso, adotam a memória coletiva.






















