Por Chiara Lombardi — A chegada da Befana no dia 6 de janeiro permanece um dos rituais populares mais encantadores da Península: uma celebração que é ao mesmo tempo folclore, memória coletiva e pequeno espetáculo ritualizado. Se o cinema nos ensinou a ler calendários como roteiros, a Epifania é uma cena recorrente em que cada cidade compõe seu próprio enquadramento. Aqui estão cinco experiências para vivenciar a data — do ar até a água, do brinquedo infantil ao crepitar das chamas.
1) Voo cenográfico no MagicLand: a Befana sobre o lago
Para quem busca o efeito-cena, o parque temático MagicLand, nos arredores de Roma, oferece um espetáculo que parece saído de uma sequência fantástica: a Befana atravessando o cenário em uma zipline — a tirolesa mais longa da Itália — e descendo diretamente ao centro do lago do parque. Ao mesmo tempo, os Re Magi fazem uma entrada teatral acompanhados por um camelídeo verdadeiro, criando uma imagem que mistura o natalício bíblico com a espetacularidade contemporânea dos parques temáticos. Além do espetáculo visual, há distribuição gratuita de doces — mais de uma tonelada de balas — tornando a experiência memorável para famílias.
2) A tradição dos Paaruoi nas Dolomitas bellunesi
Nas aldeias das Dolomitas de Belluno, especialmente em Forno, a noite entre 5 e 6 de janeiro é iluminada pelos ritualísticos “Paaruoi”: grandes fogueiras comunitárias onde se ergue uma pirâmide de madeira coronada por uma pequena figura representando a velha senhora. Crianças e adultos rodeiam a chama num gesto que é tanto purificador quanto narrativo — um eco cultural que verbaliza o inverno e o recomeço, o velho dando lugar ao novo.
3) No carrossel: a Befana como brinquedo e espetáculo urbano
Em muitas praças e feiras, a Befana entra em cena sobre uma giostra (carrossel), transformando o brinquedo infantil em plataforma de performance. Esse deslocamento — da lareira doméstica para o espaço público do parque de diversões — reconfigura a tradição como acontecimento compartilhado: a figura que traz doces torna-se, por um dia, também anfitriã de um divertimento urbano.
4) A calza de recorde: a megalomania afetiva das doações
Em algumas localidades italianas a atenção se volta para a calza — a meia que recebe presentes — transformada em extravagância coletiva: meias gigantes, esculturas têxteis e iniciativas para bater recordes. Essas peças monumentais funcionam como gestos simbólicos que expandem a intimidade do presente (o doce colocado na meia) para a dimensão cívica e comemorativa.
5) A gondola veneziana: a Befana sobre as águas
Na Veneza que insiste em ser cartão-postal vivo, a Befana pode chegar de gondola, navegando canais e distribuindo pequenas recordações e doces à margem. A imagem da velha senhora sobre a embarcação resume a capacidade da tradição de se adaptar a paisagens diferentes — do lar ao mercado, da montanha ao mar — mantendo um núcleo afetivo intacto.
Mais do que um dia de doces e figurinhas, a Epifania atua como um espelho do nosso tempo: ritos que se concretizam no espetáculo, memória que se veste de turismo, e pequenas mitologias locais que resistem na forma de fogueiras, corsos ou brinquedos. Escolher como celebrar é, em última análise, escolher qual narrativa queremos incorporar — a da surpresa íntima, a do encontro comunitário, ou a do grande gesto público.































