Por Chiara Lombardi — A contagem regressiva está lançada: a Arena di Verona transforma-se no palco onde será celebrada a poesia do gesto humano na cerimônia de encerramento dos Jogos Olímpicos de Inverno Milano Cortina 2026. Se a abertura foi um tributo exuberante à italianidade em todas as suas cores, o fechamento promete ser um ensayo sobre a forma e o movimento — um verdadeiro Beauty in action.
Assinado pela produtora Fimmaster, o conceito Beauty in action interpreta a beleza como uma energia tangível, capaz de marcar memórias tal como um frame inesquecível de um filme. A proposta é reunir lirismo, música, dança, cinema, design e tecnologia numa síntese que reflete o equilíbrio entre classicismo e contemporaneidade próprio do cenário cultural italiano. É a semiótica do viral aplicada ao espetáculo ao vivo: estética que vira emoção e gesto que vira narrativa.
A escolha do cenário não é casual. A Arena di Verona, a mais antiga arena romana ainda em uso, oferece o pano de fundo histórico — quase um espelho do tempo — para um espetáculo cujo fio condutor será a água. O elemento é símbolo do vínculo entre os territórios tocados pelos Jogos, das altitudes alpinas até o Mediterrâneo, e inspira a cenografia pensada para dissolver a fronteira entre palco e plateia.
Segundo as poucas antecipações divulgadas, a Arena será convertida numa grande piazza italiana: superfícies luminosas, elementos cenográficos móveis e coreografias dispersas pelo espaço que transformarão a plateia em parte ativa do espetáculo. Essa operação de reframe espacial evoca a tradição performativa italiana ao mesmo tempo em que a reinterpreta com ferramentas tecnológicas contemporâneas.
Entre os nomes que marcaram a cerimônia de abertura estavam Roberto Bolle, Benedetta Porcaroli, Gabry Ponte e Achille Lauro — lembranças que reforçam a ideia de que o encerramento seguirá na mesma órbita de alto impacto cultural. Os porta-bandeiras italianos para a cerimônia de encerramento serão Davide Ghiotto (patinação de velocidade) e Lisa Vittozzi (biatlo), símbolos do gesto atlético que inspira o evento.
Do lado das autoridades e do público ilustre, está confirmada a presença da premiê Giorgia Meloni. Há grande expectativa sobre uma possível presença do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enquanto parece quase certa a ausência do presidente francês, Emmanuel Macron, ausente já na abertura. Em seu lugar, o primeiro-ministro francês Sébastien Lecornu receberá o tradicional repasse de responsabilidades rumo às Olimpíadas de 2030.
A cerimônia tem início marcado para as 20h de domingo e será transmitida pelas plataformas que acompanharam as competições, incluindo RAI e Eurosport. Mais do que um encerramento, trata-se de uma curta-metragem coletiva: um último ato que busca sintetizar o roteiro oculto da sociedade contemporânea, onde o corpo e a estética dialogam como protagonistas de uma narrativa cultural maior.
Na lógica de quem observa o entretenimento como um espelho do nosso tempo, a proposta da Arena sugere que o espetáculo esportivo não termina com a bandeira final — ele se prolonga na forma como lembramos os gestos, os rostos e as imagens que escolhermos guardar.






















