Com a elegância austera de quem deixa uma marca tanto na ciência quanto na memória coletiva, o físico Antonino Zichichi terá seus funerais celebrados na tarde de sexta-feira, 13 de fevereiro, às 16h, na Basilica di Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, em Roma, na piazza della Repubblica. A informação foi divulgada pela família do cientista.
A cerimônia, que reúne o formato de um rito público e o peso íntimo do luto familiar, recorta no tempo a figura de Zichichi — um homem cujo percurso científico e institucional se transformou, com o passar das décadas, num espelho do nosso tempo e dos diálogos entre a tradição europeia e a ciência contemporânea. Aos 96 anos, ele faleceu na noite de segunda-feira, 9 de fevereiro, deixando uma biografia larga e um legado presente em universidades e centros de pesquisa.
Para permitir que colegas, estudantes, amigos e cidadãos prestem suas últimas homenagens, será aberta uma camera ardente a partir de amanhã na sede da Arciconfraternita dei Siciliani de Santa Maria Odigitria, na via del Tritone 82. Os horários de visita são: amanhã, das 15h às 19h30; quinta-feira, das 10h às 19h30; e sexta-feira, das 10h às 14h. Trata-se de um circuito simbólico — do espaço confraternizado siciliano à basílica construída por Michelangelo — que traduz a geografia cultural do cientista, entre raízes e palcos públicos.
Ao noticiar o evento, é importante não reduzir Zichichi apenas ao perfil público: sua trajetória conectou centros acadêmicos, debates sobre ciência e sociedade, e a formação de instituições. O funeral em um dos lugares mais monumentais de Roma reforça a dimensão pública da despedida, um gesto que vai além do luto pessoal e funciona também como um sinal cultural: o reconhecimento de uma vida que tropeçou com a história e a interpretou.
Como observadora do zeitgeist, vejo nesta despedida um pequeno roteiro oculto que fala sobre nossa relação com a memória científica: a cidade eterna abriga não só templos da arte, mas também o rito de passagem de quem construiu conhecimento. A presença da Arciconfraternita dei Siciliani e a escolha da Basilica di Santa Maria degli Angeli e dei Martiri compõem um quadro que mescla regionalidade, fé e espaço público — a semiótica de um adeus.
Os organizadores e a família pedem que as formalidades do sepultamento sejam respeitadas, e que a cidade permita que o momento seja vivido com solenidade. Para quem deseja prestar homenagem, a recomendação é respeitar os horários da camera ardente e comparecer com tranquilidade: a cidade e o tempo oferecem, por algumas horas, um reframe da rotina em respeito ao passado de um homem que fez da física um diálogo com o mundo.
(Chiara Lombardi para Espresso Italia)






















