Era por volta das nove da manhã do dia 1º de janeiro quando, sobre o Ponte Sisto, entre Trastevere e Campo de’ Fiori, chamou a atenção um saco cheio de resíduos e os sanpietrini quase brilhando ao sol de início de ano. A equipe da AMA, empresa municipal responsável pela limpeza de Roma, fazia sua ronda habitual, mas havia uma equipe extra dedicada completando o trabalho.
Tratava‑se de um pequeno grupo de voluntárias japonesas duas mulheres e o marido de uma delas que residem em Roma e que, segundo contam, têm o hábito de ir ao Ponte Sisto todas as manhãs de domingo cedo para varrer e recolher o lixo. Armadas de vassouras e usando coletes pretos, elas terminaram de recolher o material deixado na via e ajudaram a deixar a ponte em melhores condições para os transeuntes e turistas no primeiro dia do ano.
“O nosso é voluntariado”, disseram as mulheres. “Fazemos isto por gratidão a Roma e à sua beleza”. A frase resume o sentimento que as levou a manter essa rotina: um gesto simples, repetido com regularidade, que busca devolver à cidade um pouco do zelo que a inspira. A presença da equipe municipal de limpeza não as substitui; ao contrário, os voluntários atuam em complementaridade, alcançando trechos onde muitas vezes o ritmo do serviço público ainda não chegou.
O episódio, captado por moradores e rapidamente difundido por quem passava pelo local, chamou atenção não apenas pelo símbolo — a ponte histórica e o cenário festivo do Ano Novo mas pela imagem de cidadãos estrangeiros mostrando cuidado com o espaço urbano. Em uma cidade turística como Roma, atitudes desse tipo ganham repercussão justamente por evidenciar o vínculo afetivo que moradores e visitantes nutrem com o patrimônio urbano.
Segundo relatos, as voluntárias não fizeram alarde; preferiram seguir com a tarefa e conversar com quem se aproximou, explicando que a limpeza é uma forma de retribuição. O gesto foi recebido com elogios por quem passava pelo local e motivou reações positivas nas redes sociais, onde usuários ressaltaram a importância de pequenas ações coletivas para manter limpas as áreas públicas.
Este caso também reacende o debate sobre responsabilidade cívica e participação comunitária: enquanto a gestão municipal realiza a coleta e a varrição, iniciativas cidadãs complementares ajudam a manter a cidade mais limpa e acolhedora. A história das voluntárias japonesas no Ponte Sisto é um lembrete de que o cuidado com a cidade pode partir de qualquer cidadão — e que gestos simples, como varrer e recolher lixo, têm forte valor simbólico e prático.
No fim, as palavras das voluntárias resumem o espírito do ato: “Somos gratas a Roma“. Um agradecimento que se transformou em ação e que, por isso, ganhou a atenção de quem passa pela ponte e de quem viu as imagens nas redes.































