VARESE — A passagem da tocha olímpica pelas ruas de Varese, na noite de quarta‑feira, 14 de janeiro, foi marcada por protestos e cartazes de apoio à Palestina. Ativistas reunidos em praças e calçadões ergueram faixas e placares com mensagens críticas ao comitê organizador e ao movimento desportivo internacional.
“Há um duplo padrão nestas Olimpíadas. Alguns atletas são excluídos, outros não, e isso é inaceitável”, disse um dos manifestantes à nossa apuração in loco, enquanto levantava um cartaz em defesa do povo palestino. Outro painel exibido no percurso trazia a legenda em italiano: “Qui si gioca, in Palestina si muore” — traduzido: “Aqui se joga, na Palestina se morre”.
As manifestações foram contidas por policiais presentes ao longo do trajeto da tocha; não foram registrados confrontos de grande gravidade, segundo relatos das autoridades locais. Ainda assim, a mobilização chamou atenção pelo teor político das reivindicações e pela frequência de mensagens direcionadas à governança do esporte internacional.
Em paralelo às críticas no entorno das celebrações olímpicas, circulou entre as lideranças locais documentação cuja natureza, segundo levantamento, se relaciona a investigações anteriores sobre despesas e potenciais conflitos de interesse. Fontes dos meios investigativos — citadas nas recentes reportagens do programa Report e do jornal Il Fatto — colocaram sob escrutínio benefícios como cartões de desconto da Ita para voos e o uso de carros oficiais por parte de gestores.
O cruzamento de fontes e documentos em poder da imprensa abriu um novo foco de debate: além das pautas esportivas e humanitárias, emergem questões administrativas e financeiras que alimentam a desconfiança pública sobre os critérios de gestão nos bastidores das grandes competições.
KIEV — Num relato que revela a intensidade das hostilidades e suas consequências civis, o presidente ucraniano Zelensky declarou estado de emergência no setor de energia, com atenção especial à capital, Kiev. A medida responde a uma onda de ataques que deixou residentes sem eletricidade, aquecimento e água, em meio a temperaturas negativas.
Em post no Telegram, o chefe de Estado detalhou a criação de uma força‑tarefa para coordenar ações 24 horas por dia. O recém‑nomeado ministro da Energia, Denys Shmyhal, foi indicado para liderar os esforços que visam restaurar serviços essenciais e garantir suporte a comunidades afetadas.
Um porta‑voz da maior companhia energética privada do país, a DTEK, afirmou que a situação exige “um nível sem precedentes de coordenação” entre autoridades e fornecedores. Técnicos da empresa, disse o porta‑voz, trabalham em regime contínuo para restabelecer o fornecimento nas regiões atingidas.
Entre as medidas anunciadas, o governo buscará acelerar a compra de equipamentos críticos, aumentar as importações de eletricidade e simplificar normas para conectar geradores de reserva à rede durante o estado de emergência. Zelensky também ordenou uma revisão do toque de recolher noturno para permitir que cidadãos acessem sem restrições os chamados “pontos de invencibilidade” em Kiev — locais com geradores que fornecem energia e aquecimento.
As declarações oficiais destacam a combinação de ataques militares e condições climáticas adversas como fatores que agravam a crise humanitária. Equipes de reparo, serviços públicos e o Serviço de Emergência do país seguem mobilizados nas frentes mais críticas.
Apuração e verificação: reportagem assinada por Giulliano Martini, correspondente do La Via Italia, com cruzamento de fontes locais, declarações oficiais e material de agências. A realidade traduzida: protestos em Varese concentraram críticas de ordem política e administrativa; em Kiev, o quadro energético exige respostas imediatas do governo.





















