Em mudança significativa na investigação sobre o episódio ocorrido em 1º de fevereiro na piazza Mistral, zona Rogoredo, em Milão, a morte do chinês de 30 anos conhecido como Liu Wenham alterou a qualificação jurídica atribuída aos agentes envolvidos. A Procuradoria de Milão passou a indiciar os quatro policiais por homicídio culposo, e não mais por lesões culposas, mantendo, contudo, a mesma alegação inicial de uso legítimo das armas (scriminante).
O fundamento jurídico invocado — a chamada scriminante — é aplicado quando quem dispara age “por necessidade de repelir uma violência ou para impedir a consumação de delitos como o homicídio voluntário”. Trata-se de um elemento que, se confirmado no curso das diligências, pode excluir a punibilidade e conduzir à eventual arquivamento da investigação em relação aos agentes.
A escolha da Procuradoria de inscrever no registro dos indiciados não apenas o policial que efetivamente disparou, mas todo o efetivo da UOPI — as unidades operativas especializadas em conflitos armados — foi justificada “a garantia” dos investigados: essa formulação permite que os policiais participem de atos processuais acompanhados por consultores técnicos e advogados próprios, conforme prerrogativas de defesa e do contraditório.
Os fatos apurados até o momento, segundo peças processuais e relatos de testemunhas cruzadas pela investigação, são os seguintes: o homem de nacionalidade chinesa, sem documentação regular de residência em território italiano, teria agredido uma guarda privada e subtraído a arma do vigilante. Em seguida, teria usado a arma para atirar contra uma viatura blindada da polícia presente na praça. Em reação, os agentes responderam com disparos que atingiram o agressor no braço e na cabeça. Os ferimentos, inicialmente não fatais segundo laudos preliminares, evoluíram e culminaram na morte do homem.
Do ponto de vista técnico-processual, a alteração da imputação para homicídio culposo impõe nova rota investigativa: perícias balísticas, confronto de versões presentes em gravações e imagens de segurança, e a análise das comunicações internas da unidade serão prioridades. Fontes judiciais consultadas pela reportagem ressaltam que o encaminhamento para indiciamento não antecipa juízo de valor final, mas formaliza a necessidade de aprofundamento das provas.
Em apuração in loco e cruzamento de fontes, permanece o foco nos fatos brutos: agressão ao vigilante, subtração da arma, disparos contra a viatura e resposta armada pelos policiais. A Procuradoria busca estabelecer se, no contexto daquele confronto, estavam presentes todos os elementos que caracterizam a excludente de ilicitude alegada — ou se, ao contrário, houve excesso ou conduta culposa imputável às forças de segurança.
O caso segue em investigação pela Promotoria de Milão. A Espresso Italia acompanhará o desdobrar das diligências, com prioridade ao rigor técnico e ao cruzamento de documentos e perícias que sustentem o enquadramento final dos fatos.




















