Milão-Cortina — Após a onda de protestos, petições e apreensão pública sobre a presença de agentes do ICE (Immigration and Customs Enforcement) nos jogos olímpicos de Milano-Cortina, a coalizão de centro-direita buscou nesta quinta-feira conter temores com declarações oficiais. O vice‑primeiro‑ministro e ministro das Relações Exteriores, Tajani, afirmou que se trata de uma presença técnica e limitada, restrita a atividades de inteligência administrativa dentro do Consulado americano em Milão.
Segundo Tajani, “creio que serão três pessoas, que trabalharão dentro do Consulado americano em Milão, para dar eventuais informações à Polícia italiana”. A declaração foi prestada à margem do Conselho Europeu em Bruxelas, e teve como objetivo centralizar o debate no âmbito estritamente cooperativo entre autoridades.
O ministro reafirmou que as forças italianas — Polizia, Carabinieri e Guardia di Finanza — continuam sendo as únicas responsáveis pela ordem pública no território nacional: “não há razão para alarmismo”. Repetiu também que a Itália já enviou contingentes bem maiores a outros eventos internacionais, citando episódios como os campeonatos de futebol na Alemanha, quando houve cooperação policial multinacional.
Na mesma linha, Matteo Salvini confirmou que, para os eventos de inverno, “haverá dois técnicos civis nas sale operative, portanto não haverá polícias americanas nas ruas de Milão, de Cortina, de Bormio”. Salvini acrescentou uma recomendação interna: pediu ao prefeito de Milão, Beppe Sala, que amplie o equipamento das forças locais, em especial a disponibilização de tasers, citando que, entre 3.200 agentes da polícia municipal, apenas seis disposições estão atualmente disponíveis.
A movimentação pública e política contra a presença do ICE inclui uma manifestação anunciada para sábado, 31 de janeiro, em Milão, convocada pela Associação Nacional dos Partigiani (ANPI) e por siglas de centro‑esquerda. No calendário institucional, o ministro do Interior, Matteo Piantedosi, fará uma informação à Câmara dos Deputados na quarta‑feira 4 de fevereiro, às 9h30, para esclarecer o alcance das operações de segurança.
Do ponto de vista partidário, o coro governista buscou minimizar riscos. Giovanni Donzelli, de Fratelli d’Italia, declarou que “aqui na Itália não poderão fazer o que vemos nos Estados Unidos”, enquanto Daniela Santanché limitou‑se a pedir mais segurança: “quero que haja segurança: mais segurança, mais liberdade”.
Houve, no entanto, dissenso público dentro da coalizão. A ex‑prefeita e figura política Letizia Moratti definiu como inopportuno o envolvimento do ICE, lembrando que o órgão é dedicado principalmente a temas de imigração, e que sua atuação em um contexto de grandes eventos pode gerar interpretações erradas sobre o seu papel.
Da nossa apuração e cruzamento de fontes: o quadro formal é este — presença reduzida, atuação em escritório consular e coordenação informativa com as forças italianas. As reservas civis e políticas refletem, porém, uma sensibilidade pública elevada sobre agentes estrangeiros envolvidos em operações de segurança. A verificação oficial ocorrerá na sessão informativa de Piantedosi e nas próximas horas, quando a expectativa é pela entrega de detalhes operacionais e jurídicos sobre as funções atribuídas aos agentes americanos.
Raio‑X do cotidiano político: a transparência e a clareza de responsabilidades serão decisivas para converter a preocupação social em confiança institucional. Enquanto isso, a máquina de comunicação governista insiste na normalidade da cooperação internacional para grandes eventos, ao mesmo tempo em que parte da opinião pública pede limites e garantias.






















