Em reação à polêmica recente sobre a presença do ICE em Milão durante as próximas Olimpíadas, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, fez esclarecimentos diretos à imprensa. À margem do Conselho de Assuntos Exteriores, Tajani afirmou que a ocorrência envolve uma equipe reduzida e com papel estritamente colaborativo, sem qualquer intenção de substituir ou confrontar as forças nacionais de ordem pública.
Segundo o ministro, “acredito que haverá três pessoas no consulado americano em Milão para fornecer eventuais informações à polícia italiana“. Tajani reforçou que são a Polizia, os Carabinieri e a Guardia di Finanza as forças responsáveis por garantir a ordem pública em solo italiano, ressaltando que não há fundamento para alarmismos.
“Quando acontecem eventos de grande porte é natural que outros países encaminhem suas próprias equipes para colaborar na segurança”, disse Tajani. “Eles não vão desfilar de terno de combate nas ruas, não há perigo para a democracia”, completou, com ênfase em desmistificar cenários de intervenção operacional estrangeira que circularam nas redes.
O pronunciamento busca conter um debate que ganhou visibilidade pública nos últimos dias, centrado na natureza e extensão da colaboração entre agências estrangeiras de segurança e as autoridades italianas durante eventos internacionais. A versão apresentada pelo responsável pela diplomacia italiana descreve o episódio como estritamente de cooperação e inteligência: um canal de apoio informativo ao trabalho das forças italianas, hospedado em instalações consulares.
Do ponto de vista institucional, a prática de trocar informações e despachar pequenos contingentes técnicos entre aliados em ocasiões de grande mobilização não é inédita. No entanto, a sensibilidade pública aumenta quando essas ações são interpretadas — equivocadamente, segundo Tajani — como uma forma de ingerência ou ameaça aos mecanismos democráticos e à soberania operacional das polícias nacionais.
Na declaração, o ministro também procurou reafirmar a normalidade dos procedimentos: medidas de cooperação são negociadas entre serviços e executadas sob regras claras de jurisdição e coordenação. O papel do Estado italiano, conforme pontuado por Tajani, permanece central e soberano na manutenção da segurança interna.
Este relato visa separar os “fatos brutos” das conjecturas: há, de um lado, um comunicado ministerial que descreve uma presença restrita e informativa do ICE em apoio às autoridades durante as Olimpíadas; do outro, um conjunto de interpretações públicas que alimentaram preocupações sobre a natureza dessa presença. A apuração aqui evita especulações e se baseia na declaração oficial do titular da pasta de Relações Exteriores.
Continuaremos o cruzamento de fontes para acompanhar desdobramentos e eventuais notas técnicas que detalhem as atribuições formais desses três funcionários consignados ao consulado. Por ora, a mensagem institucional é de tranquilidade: a segurança do evento seguirá sob comando das forças italianas.






















