Por Giulliano Martini — Um adolescente de 17 anos com deficiência foi agredido com violência física em Silvi, na costa italiana: segundo denúncia pública feita pelo pai, o jovem foi espancado, recebeu socos e pontapés, foi golpeado com um bastão e lançado por duas vezes dentro de um contentor de lixo. O episódio foi relatado em vídeo longform publicado nas redes sociais pelo pai, identificado como Roberto.
No relato do pai, não se trata de um fato isolado: há referência a vessações físicas e psicológicas repetidas, praticadas ao longo do tempo. Roberto classifica as agressões como bullying e denuncia um quadro de omertà e silêncio social, com a presença de outras pessoas no local que, em parte, não teriam intervindo. Uma pessoa, contudo, agiu e impediu danos ainda maiores ao adolescente.
As forças de segurança locais já instauraram investigação sobre o caso. O procedimento está a cargo da Procura per i Minorenni dell’Aquila (Promotoria para Menores de L’Aquila), que abriu inquérito e conduzirá os exames necessários. Por se tratar de crimes praticados contra uma pessoa com deficiência, o processo foi iniciado de ofício.
Em vídeo e entrevistas realizadas nas redes, o pai sublinha: “não são ragazzate, não são bravate, mas bullying” — transpondo a expressão italiana para enfatizar que não se trata de travessuras juvenis, mas de uma prática que causa danos profundos e duradouros. A denúncia também aponta para uma cultura de minimização e de virar o rosto, que contribui para proteger os agressores e isolar as vítimas.
Fontes policiais confirmam que estão em curso diligências para identificar todos os envolvidos, verificar a dinâmica dos fatos e apurar responsabilidades. O inquérito deverá considerar depoimentos de testemunhas, imagens eventuais de câmeras públicas ou privadas e relatórios médicos sobre as lesões sofridas pela vítima.
Do ponto de vista jurídico, a qualificação dos atos — incluindo a circunstância da vítima ter deficiência — pode influenciar a tipificação dos crimes e a medida de atuação da promotoria. A investigação de ofício permite às autoridades avançar independentemente de representação da família, dada a gravidade e a natureza sensível do caso.
O episódio reacende o debate sobre a resposta coletiva a situações de violência e sobre a necessidade de mecanismos de prevenção e proteção para adolescentes em risco. A família, por meio do vídeo, busca não só justiça penal como também chamar atenção para a urgência de políticas e práticas escolares e comunitárias que identifiquem e interrompam cadeias de abuso antes que causem dano irreversível.
As autoridades locais não divulgaram ainda nomes de eventuais indiciados. A investigação prossegue com coleta de provas e oitivas; a promotoria anunciou que dará seguimento às medidas necessárias assim que os elementos estiverem consolidados.
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