Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes indicam que a decisão final sobre os quatro agentes egípcios acusados do sequestro e homicídio de Giulio Regeni pode ser proferida durante o verão. O processo, que estava suspenso desde outubro, foi retomado hoje no Tribunal de Roma após decisão da Consulta.
Na audiência desta manhã, realizada na sala Occorsio do tribunal, foi nomeado um perito de defesa indicado para acompanhar a fase probatória. Está agendada para 8 de junho uma sessão em que haverá confrontos em contraditório entre as partes — momento considerado central pela acusação e pela defesa para a definição de pontos técnicos do processo.
Nos dias 23 e 24 de junho, segundo a programação oficial, ocorrerá na ala Bunker de Rebibbia a requisitio do procurador-adjunto Sergio Colaiocco, com as respectivas manifestações finais e pedidos de pena. A expectativa entre operadores jurídicos é que, com a conclusão das alegações do Ministério Público, o colegiado possa deliberar e proferir a sentença ainda no período estival.
Ao término da audiência, os pais de Giulio Regeni, Claudio Regeni e Paola Deffendi, conversaram brevemente com a imprensa: ‘Temos confiança, ce l’abbiamo da sempre’, disseram, acompanhados pela advogada da família, Alessandra Ballerini. A declaração foi registrada fora da sala Occorsio, onde acompanharam as movimentações processuais com atenção técnica e reservada.
Fontes judiciais consultadas por esta reportagem apontam que a nomeação do perito de defesa atende à necessidade de dirimir pontos balísticos e de inteligência operacional levantados pelas partes — temas que exigem perícia e que, se exacerbados por redução de prazos, poderiam postergar a definição do julgamento.
O reinício do processo após a deliberação da Consulta marca uma etapa decisiva: a Corte constitucional italiana validou a retomada das instruções, permitindo que os autos voltem à tramitação ordinária. A retomada também evita novas suspensões que, segundo especialistas, prejudicariam a celeridade e o direito à tutela jurisdicional das partes envolvidas.
Este caso, que completou uma década desde a descoberta do corpo de Giulio Regeni no Cairo em 3 de fevereiro de 2016, mantém seu significado simbólico e jurídico. A investigação e o processo são acompanhados internacionalmente por órgãos de direitos humanos e pela própria comunidade acadêmica, interessada nas consequências institucionais do julgamento.
Ao seguir o calendário estabelecido, o tribunal pode concluir a fase de instrução e receber as alegações finais ainda em junho, abrindo caminho para a leitura da sentença no verão. A data exata, porém, dependerá do ritmo das atividades periciais e do desenrolar das audiências agendadas.
Esta reportagem permanece em acompanhamento constante: atualizaremos os fatos à medida que novas decisões judiciais e manifestações oficiais sejam publicadas.






















