Sapato inteligente com sola hi‑tech promete reduzir quedas em idosos
Apuração de Giulliano Martini — A mais recente inovação vinda do Reino Unido apresenta uma solução tecnológica para um problema de saúde pública: as quedas entre pessoas idosas. Segundo dados da vigilância Passi d’Argento do Instituto Superior de Saúde (ISS), cerca de 20% a 21% dos indivíduos com mais de 65 anos caem pelo menos uma vez ao ano, percentual que cresce com a idade e atinge aproximadamente 50% entre os com mais de 80 anos. Diante desse cenário, uma solução de prevenção baseada em calçados inteligentes surge como alternativa promissora.
O protótipo, desenvolvido pelo engenheiro Jiayang Li, da Universidade de Bristol, integra uma sola interna hi‑tech repleta de centenas de sensores minúsculos. Esses sensores coletam dados em tempo real sobre a marcha do usuário, com precisão comparável à de um laboratório, e transmitem as informações para um tablet ou smartphone, onde podem ser visualizadas por profissionais de saúde ou pelo próprio idoso.
De acordo com o relatório publicado pelo jornal The Independent, a origem do projeto é pessoal: Jiayang Li se motivou a criar a solução após acompanhar as dificuldades de locomoção do seu mentor, hoje com 89 anos. “Prometi que o ajudaria a recuperar segurança ao andar”, disse o engenheiro, explicando que a tecnologia de semicondutores utilizada na sola permitiu transformar sinais biomecânicos em imagens e métricas utilizáveis.
O sistema gera um mapeamento detalhado do pé e dos pontos de pressão, avaliando se a pessoa caminha com equilíbrio adequado ou se apresenta padrões que aumentem o risco de queda. Com esse diagnóstico, é possível indicar intervenções — exercícios de fortalecimento, ajustes ortopédicos ou alertas em tempo real — para antecipar e reduzir acidentes domésticos.
Na prática clínica e na gestão de saúde pública, a prevenção de quedas é um desafio de larga escala: as consequências vão do trauma físico à perda de independência e custos hospitalares elevados. A proposta de Li busca não apenas reduzir o número de episódios, mas também preservar a autonomia do idoso em seu domicílio.
Minuciosa na verificação dos fatos, esta reportagem cruzou as informações públicas sobre as estatísticas do ISS com os relatos do inventor e com a cobertura jornalística especializada. Ainda que a tecnologia esteja em fase de protótipo, a viabilidade técnica e o contexto demográfico sustentam seu potencial impacto. Próximos passos necessários incluem testes clínicos amplos, avaliações de custo‑benefício e o planejamento de produção em escala.
Em síntese: a combinação de sensores sofisticados, análise de dados em tempo real e interface acessível pode constituir uma ferramenta relevante na redução das quedas entre idosos. Restam, entretanto, etapas de validação e adaptação para a realidade dos sistemas de saúde e do cuidado domiciliar.






















