Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. A prefeitura de Roma lançou uma proposta abrangente para seduzir os decisores europeus: aluguel pago, veículo, isenção de IVA e reduções de IRPEF fazem parte do pacote que o prefeito Roberto Gualtieri e o subsecretário do Tesouro Federico Freni apresentaram para convencer o Parlamento Europeu a transferir para a capital italiana a futura Agência Europeia das Alfândegas (Euca).
Roma concorre com outras cidades europeias — Liège, Málaga, Lille, Zagreb, Haia, Varsóvia, Porto e Bucareste (única representante da Europa de Leste) — e aposta não apenas em incentivos financeiros, mas também em argumentos de conectividade e qualidade de vida. Na proposta formal, o edifício indicado fica em Viale Civiltà Romana, no bairro do EUR, e o governo italiano comprometeu-se a cobrir as despesas iniciais de adaptação do imóvel, estimadas em 50 milhões de euros.
Durante a apresentação aos eurodeputados da Comissão para o Mercado Interno e Proteção do Consumidor, Gualtieri apelou ao mito da “Dolce vita” como atributo de atração: “A qualidade de vida de Roma é certificada pela enorme quantidade de pessoas que continuamente a visitam para viver a ‘dolce vita'”, disse, destacando a posição estratégica do prédio — a seis paradas de metrô do centro e a cerca de 20 minutos de carro do aeroporto Fiumicino — além dos acessos às praias e à oferta cultural.
O pacote oficial inclui, segundo o documento apresentado, serviços e incentivos práticos: cobertura do aluguel, assistência hoteleira, apoio financeiro, serviços de transporte, acordos com serviços sanitários, descontos em ingressos para sítios culturais e turísticos e convenções para formação, inclusive cooperando com a Guardia di Finanza para o treinamento das equipes.
Em termos familiares, estão previstos «dois milhões de euros por ano para a cobertura parcial das despesas escolares dos filhos dos funcionários», além do acesso ao sistema público escolar gratuito. Na argumentação de Gualtieri, poucos países podem oferecer um edifício único com custos de locação cobertos e o nível de conectividade que Roma pretende garantir com voos diretos de Fiumicino para toda a Europa.
Freni reforçou a mensagem junto à imprensa: “Nós somos os únicos que pagam tudo, e isso é motivo de orgulho porque acreditamos neste projeto. Somos o único país que disponibiliza recursos agora e para o futuro, para que nada pese no orçamento da Agência ou da UE”. A afirmação visa sublinhar a oferta brasileira (sic) — ou melhor, italiana — de minimizar o impacto orçamentário sobre a futura autoridade europeia.
O tom da candidatura foi construído para combinar incentivos concretos e narrativa cultural. Resta à Comissão avaliar motivos técnicos e de mérito — exatamente o apelo final de Gualtieri: que a escolha seja “il più possibile basata sul merito”. A competição segue aberta; a decisão deverá considerar tanto fatores logísticos quanto a capacidade financeira e administrativa de cada candidata.
Raio-x do cotidiano político: proposta ambiciosa, cifra pública significativa e aposta na imagem de cidade global. Seguiremos acompanhando o desenrolar das avaliações e ouvindo fontes na Comissão para atualizar eventuais mudanças no cenário de escolha.






















