Em apuração in loco diante da histórica sede da Maison Valentino, na Praça Mignanelli, chegaram nas primeiras horas da manhã coroas de flores, bilhetes e mensagens em memória de Valentino Garavani. A loja permanece fechada por luto, enquanto visitantes e admiradores depositam tributos ao redor da nova instalação exposta na praça: a máscara de Vênus da artista Joana Vasconcelos, onde foi deixada também uma carta com a inscrição ‘Venus, I’ll be your mirror’.
O clima entre os que se detêm em frente ao prédio é de fim de uma era. ‘Caiu mais um colosso da moda italiana; estamos perdendo muito nos últimos anos. Com a sua morte e a de Armani, penso que acabou, para mim, o mundo da Alta Moda’, disse uma senhora, em comentário recolhido no local por cruzamento de fontes. Outra visitante ressaltou o valor internacional do estilista: ‘Sem dúvida um dos pilares da moda italiana, que nos fez brilhar no mundo’.
Há relatos também sobre o alcance universal das criações de Valentino. ‘Valentino foi uma referência na vida de todos. Acho que não existe ninguém no mundo que não tenha pelo menos um objeto criado por ele’, afirmou outro morador que passou pela praça.
No final da manhã, chegou à Praça Mignanelli Giancarlo Giammetti, companheiro e parceiro histórico de Valentino. Ele depositou um grande ramo de rosas vermelhas diante da máscara de Vênus. Ao falar sobre as lembranças, Giammetti disse: ‘São tantas que não poderia escolher uma. Talvez quando nos conhecemos. É a coisa mais tocante’, recordando a vida pessoal e profissional compartilhada com quem é considerado o último imperador da alta moda mundial.
Apontando para o edifício na praça, Giammetti acrescentou: ‘Começámos aqui, lá em cima, num andar mais alto. Na verdade, chegámos depois de um tempo e ficámos. Esta praça é nossa e permanecerá sempre parte de nós’. O legado humano e criativo de Valentino, segundo o parceiro, resume-se numa frase: ‘A beleza que cria beleza. Que cria cultura’. A citação, gravada também num espelho da fundação, declara: ‘I love beauty, it’s not my fault’.
Do ponto de vista da criação, Giammetti destacou o respeito pela mulher na obra do estilista: ‘Ele ensinou a respeitar a mulher, a não torná-la ridícula com roupas que não lhe serviam ou que eram claramente disfarces. E ao mundo ensinou também como viver uma vida importante sem ser ridículo’. O vermelho característico de Valentino, acrescentou, ‘permanecerá, como uma bela cor, e alguém a levará adiante’.
Segundo informações verificadas e confirmadas por fontes institucionais, no prédio da Praça Mignanelli será instalada a câmara ardente a partir de amanhã, com funcionamento entre as 11h e as 18h; o mesmo horário está confirmado para quinta-feira. O caixão do estilista chegará amanhã de manhã vindo da sua villa na Appia Antica.
O funeral acontecerá na sexta-feira, às 11h, na igreja de Santa Maria degli Angeli e dei Martiri, em Praça da República. Estão esperados grandes nomes da moda e do espetáculo, inclusive convidados internacionais. Continuarei o acompanhamento e o cruzamento de fontes para atualizar horários, listas de presenças e procedimentos relacionados às homenagens públicas.
Reportagem por Giulliano Martini — apuração direta em Roma, checagem de fontes e relato fiel dos fatos brutos: a realidade traduzida sem ruído.















