Por Giulliano Martini — Apuração em Roma. A partir de hoje, visitar de perto a Fontana di Trevi passa a custar 2 euros para turistas. O pagamento é exigido para percorrer um trecho delimitado por transenas provisórias que vai da bilheteria até os degraus e a grande bacia, lugares que permitem a visão mais próxima do monumento erguido por iniciativa de Clemente XII em 1731.
O ingresso pode ser adquirido online ou no local. A fruição será gratuita para os residentes de Roma e da província, mediante apresentação de documento de identidade, bem como para portadores da carta Mic (mesmo sem residência). No primeiro dia da medida — que encontra resistências em alguns setores — a presença notória foi de turistas estrangeiros dispostos a pagar para ver a Fontana di Trevi mais de perto.
“Às 10h desta manhã já havia 3 mil pré-vendas para a Fontana di Trevi”, informou o secretário municipal de Cultura, Massimiliano Smeriglio. Em entrevista, Smeriglio afirmou ter feito o cruzamento de bilhetes vendidos e observações in loco: “Os turistas entenderam, a fila funciona bem, me parece que tudo está sendo absorvido naturalmente pelo sistema turístico romano. É sobretudo uma grande oportunidade para os cidadãos e cidadãs de Roma de visitarem gratuitamente grande parte do sistema museal Capitolino”.
Questionado sobre a possibilidade de expandir a experiência a outros monumentos, o representante respondeu que a iniciativa não será ampliada indiscriminadamente: “Não, paramos aqui porque, com esses recursos, podemos manter esses espaços extraordinários e permitir a gratuidade para os romanos”.
O assessor ao Turismo, Alessandro Onorato, calculou uma estimativa de arrecadação: “Pensamos em recolher 6 milhões, e é uma estimativa conservadora”. Onorato justificou o preço de 2 euros como modesto em comparação a outras capitais: “É de 2 euros porque somos moderados; em Nova York cobrariam 100 dólares, mas há tempo… trata-se de um contributo à beleza”. Além das 3 mil pré-vendas, Onorato informou que “esta manhã já foram vendidos 500 bilhetes no local”.
As transenas vistas hoje têm caráter provisório. Segundo Onorato, “são obcenas, em breve haverá um mobiliário em linha com este lugar”. A mesma previsão foi confirmada por Smeriglio: “Sim, esse dispositivo desaparecerá nos próximos 10-20 dias. Estamos a trabalhar com a Soprintendenza nacional para o melhor dispositivo possível, o menos impactante. A praça continua pública, mas também nos interessa uma fruição do catino inferior em segurança e tranquilidade”.
O esquema prevê ainda reforço de pessoal: foram contratados 18 jovens para vigilância e segurança na área da Fontana di Trevi. O objetivo oficial é garantir que os visitantes respeitem a “sacralidade” do local — sem trazer alimentos, sorvetes ou garrafas e sem sentar-se na borda da fonte. Onorato destacou o ponto de economia e emprego: “Isto demonstra como o turismo gera riqueza e postos de trabalho, quando é organizado adequadamente”.
Apuração, cruzamento de fontes públicas e observação in loco compõem este raio-x inicial da nova regra de acesso. As medidas combinam controle de fluxo, cobrança simbólica e critérios de gratuidade locais, buscando reduzir comportamentos que historicamente afetavam a área — como aglomeração desordenada, queda de sorvetes sobre o monumento e episódios de furtos — ao mesmo tempo em que geram receita para conservação e serviços.
Vídeo: reportagem de Simona Zappulla, edição de Thomas Cardinali.






















