Roma apresentou oficialmente sua candidatura para sediar a nova Agência da União Europeia das Doganas (Euca). A proposta foi formalizada em evento realizado na Nuvola di Fuksas, com a presença do ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, do prefeito de Roma, Roberto Gualtieri, do presidente da Agenzia delle Dogane e dei Monopoli (Adm), Roberto Alesse, e do comandante da Guarda di Finanza, general Andrea De Gennaro.
O concurso para escolher o país-anfitrião da futura autoridade aduaneira europeia será decidido pelo Parlamento e pela Comissão Europeia em prazo não inferior a um mês. Além de Roma, concorrem outras oito cidades: Liège (Bélgica), Málaga (Espanha), Lille (França), Zagreb (Croácia), Haia (Países Baixos), Varsóvia (Polônia), Porto (Portugal) e Bucareste (Romênia).
A Euca — prevista na recente reforma aduaneira da UE — terá atribuições centrais: gerir o Data Hub europeu, harmonizar procedimentos, e coordenar a análise de riscos e operações entre as administrações aduaneiras dos Estados-membros. A criação da agência visa concentrar e ler, de forma integrada, os dados aduaneiros relativos ao comércio internacional.
Na apresentação, Roma destacou as competências acumuladas pela Adm como argumento técnico-prático. Segundo Alesse, a agência italiana figura entre as mais avançadas em termos de digitalização, integração de dados e combate a fraudes, além da implementação do Código Aduaneiro da União. “A Itália é um polo doganale eccezionale”, afirmou Alesse, apontando para iniciativas de inovação já em uso nas autoridades italianas.
Como possível sede física para a Euca, Roma propõe um edifício modernista dos anos 1950 situado no bairro do EUR, em viale della Civiltà Romana 7. O complexo, projetado no pós-guerra pelos arquitetos Adalberto Libera e Mario Romano — este último coautor do conhecido “Colosseo Quadrato” — ocupa mais de 10.000 metros quadrados e comportaria até 500 funcionários. O imóvel foi descrito pelos proponentes como equipado com tecnologias compatíveis com as exigências de uma estrutura europeia.
Na mesma cerimônia, Alesse detalhou investimentos recentes da Adm em inteligência artificial e aplicações digitais. Citou, entre outros exemplos, a aplicação “Autentia”, que utiliza IA para distinguir em segundos produtos autênticos de contrafeitos. “Inserimos a inteligência artificial dentro das dogane; digitalizamos; estamos fazendo controles ainda mais rápidos”, disse.
O prefeito Roberto Gualtieri qualificou o local apresentado como a “sede ideal” para a nova autoridade, enfatizando a combinação entre localização estratégica, capacidade do edifício e know-how técnico das autoridades italianas. Representantes do governo sublinharam que a candidatura italiana se apoia tanto na infraestrutura proposta quanto no histórico operacional e tecnológico da Adm.
Próximos passos formais incluem a avaliação técnica e política pelas instituições europeias competentes. A decisão final será determinante não apenas para o quadro institucional europeu, mas também para a centralização das rotinas de risco e inteligência aduaneira no continente. A capital italiana aguarda agora o calendário de inspeções e as etapas de seleção que precederão a escolha do local definitivo.
Apuração e verificação: reportagem com presença na apresentação oficial em Roma; cruzamento de declarações públicas das instituições envolvidas e consulta às diretrizes da reforma aduaneira da UE sobre a criação da Euca.


















