Há uma reviravolta no caso da desaparecida Daniela Ruggi. As análises periciais confirmaram que os restos humanos achados por dois escursionistas no dia 1º de janeiro, dentro de uma torre em ruínas próxima à casa da mulher, em Vitriola di Montefiorino (Appennino modenese), pertencem à jovem.
O achado, realizado em um antigo rudere não distante da residência de Daniela, incluía um crânio apoiado em uma trave, uma mecha de cabelo e um sutiã. A ausência da mulher havia sido oficialmente registrada em setembro de 2024, quando o prefeito de Montefiorino, Maurizio Paladini, apresentou denúncia por desaparecimento.
Os fragmentos foram encaminhados a Milão para exames mais aprofundados conduzidos pela anatomopatologista Cristina Cattaneo. Os laudos agora recebidos pela procura de Modena não deixam margem para dúvidas: trata-se de Daniela Ruggi e, entre as hipóteses investigativas, permanece com peso a possibilidade de homicídio.
Em reação aos resultados, o advogado da família, Guido Sola, descreveu o choque vivido pela mãe e pela irmã: “Mamma e sorella di Daniela sono sconvolte, hanno appreso solo questa mattina leggendo i giornali…”. Segundo o defensor, as duas tomaram conhecimento do laudo final exclusivamente pela imprensa e, por ora, não pretendem prestar declarações públicas. “Attendiamo gli sviluppi delle indagini preliminari”, disse o advogado, pedindo que se aguarde novos desdobramentos oficiais.
Enquanto os exames de DNA eram realizados nas últimas semanas — confrontando material genético extraído dos restos com amostras de objetos pessoais e com o DNA da mãe — a Procura de Modena determinou, dois dias antes, o dissequestro de bens ligados a um indagado: a casa, o automóvel e o telefone celular de Domenico Lanza, 68 anos, natural de Reggio Emilia e residente em Polinago.
Lanza vinha sendo apontado, desde o início das investigações, como o principal indagado por um suspeito sequestro de pessoa relativo ao desaparecimento da jovem de 32 anos. Ele teria sido uma das últimas pessoas a ver Daniela antes de ela sumir, mas tem reiterado sua “totale estraneità ai fatti”. Conhecido na zona como “lo sceriffo“, Lanza foi alvo da atenção pública após exibir num programa televisivo algumas peças íntimas atribuídas a Daniela, conservadas em seu veículo.
No decorrer da apuração, Lanza chegou a ser alvo de medida cautelar por irregularidades na custódia de armas em sua residência. A investigação criminal em curso agora tem como eixo a análise dos laudos forenses, o cotejo de provas materiais e o levantamento de movimentações e contatos nas horas que precederam o desaparecimento.
Fontes judiciais consultadas pela reportagem ressaltam que, apesar da confirmação da identidade, cabe à procura conduzir as próximas diligências para esclarecer dinâmica, autoria e circunstâncias da morte. O caso segue em fase preliminar e novas informações serão divulgadas conforme determinação da autoridade investigativa.
Apuração in loco, cruzamento de fontes e laudos periciais compõem o fio condutor desta investigação. A realidade traduzida até aqui aponta para um desfecho trágico, mas é o trabalho técnico e processual que definirá responsabilidades e possíveis imputações penais.





















