Em sua primeira deliberação formal, o novo conselho diretor do Parque da Arquipélago da Maddalena decidiu pela remoção da casa ocupada por Mauro Morandi na ilha de Budelli, a poucos metros da célebre praia rosa. A medida encerra alternativas consideradas, entre elas a conversão do imóvel em um infopoint, projeto que não superou a avaliação de incidência ambiental.
O imóvel, que com seu único habitante se tornou símbolo internacional da conservação e da singularidade do arco insular, será retirado conforme a decisão tomada na primeira reunião do novo corpo diretivo do Parque. Fontes oficiais indicam que a necessidade de preservação ambiental e o resultado técnico da avaliação de impacto pesaram decisivamente na conclusão.
Mauro Morandi, natural de Modena, passou mais de três décadas vivendo isolado na ilha de Budelli. Instalado ali desde 1989, tornou-se figura conhecida do sistema de proteção ambiental e protagonista de reportagens que destacaram a fragilidade dos ecossistemas insulares e a atração exercida pela praia rosa. Em 2021, aos 85 anos e por motivos de saúde, foi obrigado a deixar a residência que havia transformado em lar e ponto de referência.
Na avaliação dos técnicos do Parque, a proposta alternativa de transformar a edificação em um centro de informações ao visitante ou em um polo de mediação ambiental encontrou restrições que inviabilizaram sua implementação. O projeto foi submetido à avaliação de incidência ambiental e não obteve os requisitos necessários, segundo o parecer preliminar divulgado após a reunião do conselho.
A decisão de remoção não encerra o debate público sobre a relação entre memória cultural, presença humana e estratégias de conservação em áreas protegidas. A casa de Mauro Morandi ocupava posição sensível na borda da faixa litorânea que inclui a praia rosa, e sua existência, mesmo quando desabitada, era interpretada por muitos como um elemento de valor simbólico e afetivo. Por outro lado, para gestores e técnicos, a prioridade recai sobre a proteção de habitats frágeis e sobre a mitigação de impactos acumulados pelo turismo e pela exposição costeira.
O novo conselho diretor optou por uma resposta técnica e administrativa que, em suas palavras, visa garantir a conformidade com as normas ambientais e a segurança das áreas protegidas. Ainda não há cronograma público detalhado para a remoção da casa, tampouco indicação das medidas compensatórias ou de documentação histórica que serão adotadas para preservar a memória ligada à figura de Mauro Morandi.
Em nota oficial, o Parque comunicou que comunicados adicionais serão divulgados assim que forem concluídas as etapas de projeto executivo e as autorizações necessárias. A decisão marca um ponto de inflexão na gestão da ilha de Budelli, levantando questões sobre como equilibrar memória coletiva e exigências de proteção ambiental em locais de alto valor paisagístico.
Apuração: cruzamento de fontes institucionais e análise do parecer técnico do Parque. A Espresso Italia acompanhará o desdobrar dos procedimentos administrativos e técnicos, mantendo o registro factual e documentado das próximas etapas.






















