Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes confirmam: foram reabertas as investigações sobre o suicídio do estudante de 15 anos, Leonardo Calcina, ocorrido em outubro de 2024 em Senigallia, província de Ancona. A decisão do tribunal dos menores decorre de um vício técnico identificado no procedimento que culminou no arquivamento do caso.
Segundo o despacho judicial, os pais do adolescente não receberam comunicação formal da solicitação de arquivamento feita pela Procuradoria, pedido esse datado de abril do ano passado e inicialmente acolhido pelo juiz de garantia. A falha — descrita no ato como erro procedimental — impediu que os responsáveis legais tivessem ciência do encerramento das apurações.
A descoberta do arquivamento partiu de um acesso aos autos feito pelo advogado da família, a senhora Pia Perricci, que, após examinar a documentação, identificou a ausência da notificação. Em seguida, o tribunal dos menores determinou a reabertura imediata do inquérito, com prazo estabelecido para a juntada de novas provas.
O ato judicial prevê que, no prazo de 20 dias, será apresentada uma memória técnica pela defesa dos pais com novas evidências acerca das supostas vexações sofridas pelo jovem na escola. A peça processual deverá integrar o fascículo, permitindo ao Ministério Público e à autoridade judicial reavaliar as circunstâncias que antecederam o trágico desfecho.
Fontes oficiais consultadas pela reportagem indicam que a investigação inicial levantou questões relacionadas a episódios de bullying no ambiente escolar, hipótese sempre sustentada pelos familiares de Leonardo. Até o momento, as autoridades não registraram pronunciamento público adicional da Procuradoria sobre os elementos novos a serem apresentados.
O caso reacende o debate sobre a transparência e a celeridade dos procedimentos judiciais em matérias que envolvem menores e violência entre pares. Especialistas em direito da infância ouvidos em apuração ressaltam que a comunicação às famílias é requisito processual essencial e que sua falta pode comprometer a regularidade do procedimento e o direito à ampla defesa.
Este jornal continuará acompanhando a evolução do inquérito, com levantamento de documentos e solicitação de posicionamentos formais das partes envolvidas. A reabertura das investigações representa, na prática, a retomada do exame técnico dos fatos brutos que podem esclarecer responsabilidades e seqüências temporais — a realidade traduzida em diligências que, agora, voltam ao foco da investigação.
Registro final: permanecemos na linha de apuração rigorosa, sem espaço para conjecturas. A prioridade é a verificação documental e o cruzamento de depoimentos para oferecer aos leitores um raio-x fiel do caso.





















